Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 13/08/2018

A constituição Federal de 1988 assegura ao cidadão o direito de livre locomoção em território nacional em tempo de paz, no entanto, garantir que essa movimentação ocorra de maneira segura e fluida não aparece como prioridade dos administradores. Prova disso são os persistentes desafios que a mobilidade urbana no Brasil tem enfrentado, os quais têm como origem o crescimento das cidades e a pouca diversificação de modais em uso no país.

Em primeiro plano, vale ressaltar que existe a tendência à ocupação das áreas periféricas por diferentes classes sociais. Isso porque os terrenos mais ao centro são muito caros para os mais pobres e muito caóticos para os mais ricos, que preferem a tranqüilidade dos locais mais afastados. Tal fato pode ser visualizado tanto pelo crescimento de assentamentos urbanos informais quanto dos condomínios fechados nos limites das cidades. Dessa forma, uma malha de transportes que não acompanha essa expansão afeta a qualidade de vida das pessoas, visto que isola áreas (inclusive privando-as de serviços de saúde) e aumenta o tempo gasto pela população com deslocamentos.

Além disso, grande parte das cidades brasileiras não possuem opções de trens e metrôs, ou quando existem são limitadas (em 2017, apenas Rio de Janeiro e São Paulo contavam com mais de 300km interligados, segundo o Ministério dos Transportes). Constatação essa que decorre do sistema rodoviário adotado pelo presidente Juscelino Kubitschek, por ter implantação mais rápida e barata que a do ferroviário, embora esse último oferecesse maior capacidade de carga e menor uso de combustível. Somado a isso, tem-se a falta de segurança, conforto e pontualidade dos ônibus disponíveis, o que culmina no aumento do número de carros e motos particulares. Desse modo, o trânsito fica inflamado, os engarrafamentos aumentam.

Nesse cenário, urge que o Estado, através do Ministério dos Transportes, expanda o alcance dos meios de locomoção atuais e amplie a diversidade desses, por meio de linhas de investimentos para construção de novas vias de acesso, reforma e manutenção das existentes, compra de ônibus, e expansão da rede ferroviária, bem como através de parceria com as universidades para o desenvolvimento de pesquisas que mapeiem as áreas de maior urgência em receber tais melhorias, a fim de que os usuários do transporte público e privado possam exercer seu direito de ir e vir com mais qualidade e segurança.