Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 14/08/2018

Trânsito. Estresse. Acidentes. Essa é a realidade vivenciada pelos brasileiros diariamente. O lema “fugere urbem”, utilizado pelos poetas árcades, significa fuga da cidade e nunca fez tanto sentido. Isso porque  a superlotação dos centros urbanos e a falta de planejamento urbanística faz com que a vivência nesses locais seja bastante difícil e morosa para a população.

Em primeiro lugar, faz-se necessário observar a atual conjuntura do trânsito brasileiro. As grandes cidades contam com um crescente aumento no número de veículos, o que faz com que ruas e estradas fiquem saturadas, ocasionando, então, inúmeros engarrafamentos e acidentes, pondo em risco a vida da população. Isso acontece porque após a Guerra Fria o capitalismo consolidou-se na sociedade mundial e junto com ele, o consumismo, que faz com que a sociedade prefira a utilização de carros particulares em detrimento dos coletivos, como maneira de autoafirmação.

Além disso, é preciso olhar para a situação vivenciada pelos deficientes físicos. Devido a industrialização tardia do Brasil, as cidades urbanizaram-se de forma extremamente rápida, não sendo possível que o processo ocorresse de modo cauteloso. Com isso, é possível notar que os centros urbanos não oferecem às pessoas com mobilidade reduzida o amparo que elas precisam, tampouco o cumprimento do direito de ir e vir previsto na Constituição. Segundo Aristóteles, devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, entretanto, o refúgio dos deficientes físicos em seus lares mostra claramente que essa premissa está longe de se tornar realidade.

Desse modo, fica claro que o problema em voga deve ser resolvido ou amenizado. Num primeiro plano, seria interessante que o Governo dos Estados disponibilizasse às prefeituras das grandes cidades uma verba destinada à melhoria da mobilidade urbana, através do investimento na melhoria dos transportes coletivos e também do incentivo à população para utilizá-los, por meio de panfletagem e comerciais televisivos, assim como implementar a política de rodízio dos veículos. Ademais, ONGs, juntamente com a mídia, poderiam pressionar o Governo para realizar intervenções urbanísticas nos centros urbanos,  como a utilização de pisos podotáteis e sinais sonoros nos semáforos, para torná-los mais acessíveis aos deficientes físicos.