Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 18/08/2018

A Constituição Federal, instituída no ano de 1988, preconiza, sumariamente, o direito pessoal de circulação. Entretanto, os cidadãos brasileiros facejam empecilhos quanto ao exercício de tal garantia, haja vista a hodierna precariedade da mobilidade urbana nacional. Com efeito, o culto à utilização do carro e a má estrutura dos modais alternativos de transporte constituem empecilhos à obliteração dessa problemática.

A princípio, vale ressaltar que a cultura automobilística está enraizada no contexto nacional. Oriunda do governo de Juscelino Kubitscheck, na década de 1960, a valorização do automóvel vigora ainda na contemporaneidade. Esse panorama, associado ao vigente acesso facilitado no logro de um caro, fomentou o um crescimento, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), de 119% do número de tais artigos em território nacional. Em virtude disso, sucedeu a ampliação de congestionamentos e emissão de poluentes. Vê-se, pois, que a superação da mentalidade supratranscrita consiste em um pilar ao aperfeiçoamento do tráfego urbano.

Além disso, o déficit qualitativo da infraestrutura de modais alternativos e coletivos alicerça o desafio aludido. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 55% dos brasileiros classificam esses sistemas como ruins, em âmbito nacional. Tal quadro advém, sobretudo, da rarefação de aspectos estruturais, como ciclovias, e da má qualidade de serviços e veículos de transportes coletivos. Por conseguinte, sob ótica desse panorama, a utilização de automóveis, em detrimento a essas modalidades de transporte, torna-se viável, debilitando ainda mais o deslocamento nas cidades.

Inferem-se, portanto, os desafios que tangenciam a mobilidade urbana no Brasil. Nesse sentido, o Ministério de Transportes, em associação à mídia nacional, deve promover, por meio de redes sociais e televisivas, uma campanha audiovisual que aborde os malefícios do uso de carros, a fim de estimular a população a ponderar sobre a necessidade de seu uso constante. Ademais, o mesmo órgão, em conjunto com os setores estaduais e municipais de transporte, é responsável por elaborar um mutirão de aprimoramento da qualidade de transportes alternativos, por intermédio da cobrança de melhorias às empresas de veículos coletivos e fomento de ciclovias com verba de infraestrutura, com o fito de ampliar o uso dessas modalidades de translado. Desse modo, alçar-se-á o direito pleno de circulação dos cidadãos tupiniquins.