Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 19/08/2018

Durante o governo de Washington Luís, entre 1926 e 1930, sua célebre frase “Governar é abrir estradas” já incentivava o rodoviarismo. Entretanto, apenas durante o mandato de Juscelino Kubitschek, em 1950, é que o setor automobilístico foi implantado de forma contundente. Desde então, essa herança do século passado tem contribuído para gerar um cenário de congestionamentos, poluição atmosférica e segregação quanto a acessibilidade dos portadores de deficiência física. Diante disso, é de fundamental importância gerir a mobilidade urbana sob uma ótica racional e mais sustentável. Primeiramente, é necessário destacar que a grande quantidade de veículos circulantes deve-se a preferência pelo automóvel individual em detrimento do transporte coletivo. Essa preferência deve-se, principalmente, devido a falta de credibilidade e de segurança que os ônibus oferecem, somado ao longo tempo de viagem. Nesse ínterim, o Observatório das Metrópoles afirmou que houve um aumento de 138,6% da frota de veículos na última década, o que resultou em um cenário de congestionamentos, violência no trânsito e poluição atmosférica.

Não por um acaso, a revista científica The Lancet afirmou que a poluição, da qual essa grande leva de automóveis é contribuinte, mata mais pessoas do que todas as guerras e formas de violência juntas. Diante disso, o ciclismo aparece como opção que, além de contribuir com o meio ambiente, também promove melhor qualidade de vida e amenização do caos no trânsito.

Dessa forma, é necessária a implantação de medidas, a exemplo da melhoria da infraestrutura dos ônibus, pelo Ministério do Transporte, e uma maior quantidade deles em circulação, permitindo uma melhor viagem e maior acesso aos deficientes. Somado a isso, o Governo Federal deve incentivar o transporte coletivo, oferecendo duas viagens gratuitas a cada dez realizadas em transportes públicos. Por fim, o rodízio de carros feito em São Paulo, em que placas ímpares e pares intercalam seus dias nas suas, deve ser expandido em todas as grandes cidades, assim como o incentivo ao ciclismo, oferecendo descontos na compra de bicicletas que forem usadas para esse fim.