Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 24/08/2018

Em meados da década de 1950, o então presidente Juscelino Kubitcheck propôs o plano nacional desenvolvimentismo que, dentre outras coisas, estimulou o aumento do número de automóveis no Brasil. Nesse momento, teve-se a impressão de que os carros apresentariam evolução do Estado e que isso seria benéfico à sociedade. Contudo, passados cerca de 70 anos, devido a falta de planejamento do poder público e da iniciativa privada, as grandes metrópoles brasileiras sofrem com a imobilidade urbana que, além de aumentar os níveis de estresse das pessoas, causa graves problemas ambientais.

Nesse sentido, sabe-se que a principal causa do alto número de congestionamentos nas cidades mais populosas do país é a ineficiência do sistema de transporte público. De acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Públicos, um ônibus no Brasil transporta em média 80 pessoas. Logo, esse número evidencia o superpovoamento desse ambiente que desestimula os indivíduos de classe média e alta a utilizarem esse meio de locomoção, o que induz essa parcela da população a se locomover utilizando veículos particulares.

Além disso, a falta de planejamento das empresas contribui para a imobilidade urbana no território nacional. Entende-se que uma parcela considerável das pessoas que residem nas grandes cidades desloca-se distâncias quilométricas para ocupar postos de trabalho parecidos com os oferecidos próximos à suas residências. Portanto, um sistema de organização das grandes empresas permitiria que mais pessoas trabalhassem em locais próximos de suas casas.

Por conseguinte, os congestionamentos são prejudiciais à qualidade de vida da população, visto que aumentam os índices de estresse dos indivíduos e isso intensifica os casos de infarto e derrame. Ademais, o grande número de automóveis emite toneladas de dióxido de carbono à atmosfera e isso apresenta-se como principal causador do agravamento do efeito estufa e aquecimento global que aumenta os níveis dos oceanos e desregula as relações naturais.

Portanto, conclui-se que a imobilidade urbana é um grave problema do Brasil. O Estado deve investir nos sistemas de transporte através da compra de novos ônibus e construção de mais linhas de metrô. Além disso, os grandes empresários devem criar um aplicativo de redistribuição de funcionários que permita que as pessoas encontrem empregos próximos às suas residências. Com essas ações, a população estará estimulada a trocar os meios de transportes particulares pelos públicos, o número de indivíduos percorrendo grandes distâncias diminuirá e isso irá melhorar o sistema de mobilidade urbana no Brasil.