Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 31/08/2018
Em meados do século XX, no governo de JK, os investimentos no setor automobilístico foram enormes. Nessa época, tal política desenvolvimentista foi bastante aplaudida, porém, atualmente, as consequências desse processo têm se mostrado bem trágicas. Tendo em vista a infeliz dependência do país com o rodoviarismo, problemas urbanos relacionados à locomoção tornaram-se rotineiros para os cidadãos. Entende-se, então, que a mobilidade urbana brasileira encontra-se deficiente e que tal questão alarmante deve receber total atenção das autoridades.
A princípio, é necessário considerar, antes de tudo, o papel subjetivo da sociedade capitalista. Segundo a teoria social da Escola de Frankfurt, a indústria cultural atua como ferramenta para o capitalismo atender suas próprias demandas ao estimular comportamentos na sociedade favoráveis a ele. Seguindo tal pensamento, para gerar lucro aos grandes empresários, pessoas são incentivadas cada vez mais a terem carros próprios. Em suma, os transportes públicos e os não motorizados são desprezados pela população e, como resultado, há um grande inchaço nas ruas das cidades, gerando um trânsito caótico.
Ademais, o individualismo presente em tal problemática também é um agravante. No texto “O pessoal é político”, a jornalista Carol Hanisch evidencia que problemas considerados particulares podem, na verdade, ser extremamente influentes no cotidiano de uma nação. De acordo com a Constituição brasileira, o ir e vir é direito de todos, contudo, o cidadão que mora na periferia do Rio de Janeiro, por exemplo, leva em média 3 horas para chegar ao centro da cidade. Dessa forma, ao negligenciar a mobilidade urbana do país, principalmente das regiões mais pobres, e não tratá-la com sua devida importância, a população e o governo contribuem para um retrocesso social, econômico e político da sociedade.
Entende-se, portanto,