Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 04/09/2018
“Governar é construir estradas”. Com esse chavão, o ex-presidente do Brasil Washington Luiz dava início a um projeto “rodoviarista” para a nação. Em seguida, na década de 1950, o então chefe do executivo Juscelino Kubitschek confirmava essa tendência ao promover a construção de um grande número de estradas pelo país. No entanto, essa política pouco abrangente em diversidade de transportes, mostrou-se problemática na sociedade contemporânea. Nesse sentido, torna-se necessário uma rediscussão sobre essa questão bem como os meios de superá-la.
Em uma primeira análise, a dependência majoritária de vias asfálticas percebida no Brasil é especialmente grave no âmbito das grandes cidades. Visto que os modais de transporte público são deficitários em número e qualidade e não atendem totalmente as demandas da população. O crescimento vertiginoso das cidades na segunda metade do século passado, a exemplo, não foi acompanhado adequadamente por estratégias de mobilidade eficientes. Dessa maneira, o movimento desse grande contingente de pessoas sobrecarrega as poucas linhas de metrô e trem e deixam para os ônibus, de menor investimento em curto prazo, a responsabilidade da maior parte desse transporte. Esse meio de condução que, sabidamente, tem papel importante na emissão de gases poluentes e que causa perdas importantes em tempo e saúde para os usuários.
Outro aspecto a ser abordado é a recusa por parte da sociedade em se utilizar dos meios de locomoção de massa. Isso é devido, entre outros motivos, pelo ideário construído pelo capitalismo após a Guerra Fria de que a posse e a utilização do carro é sinônimo de sucesso. Logo, a cidade, um ambiente coletivo, é inundado por veículos que transportam em média apenas 1,4 pessoas, dados da Agência Nacional de Transportes Públicos. Tal fato contribui em muito para o agravamento dos problemas com causas estruturais já existentes, como os longos engarrafamentos nos centros urbanos e acidentes causados pela grande quantidade de automóveis em circulação.
Por tudo isso, é imprescindível que todos os segmentos sociais unam-se a fim de mitigar a problemática da mobilidade. Para isso, é pertinente ao cidadão exigir transparência e eficiência na gestão dos transportes públicos com o intuito de que seja garantida uma qualidade digna, cooptando, assim, outros setores da sociedade que ainda relutam em se utilizar dos meios coletivos. Ás esferas públicas, por outro lado, cabe a união entre as gestões municipais, estaduais e federais para fiscalizar mais efusivamente a situação dos transportes, promover parcerias público-privadas para a melhoria dos veículos e, em longo prazo, planejar a implantação de modais mais eficientes como metrôs e trens, além de campanhas para o incentivo do uso desses, com o objetivo de coletivizar as cidades.