Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 16/10/2018
A partir do século XVIII, surgiu na Europa um movimento intelectual, o Iluminismo, baseado nos ideais de igualdade, liberdade e fraternidade. No entanto, quando se observa os desafios da mobilidade urbana no Brasil, percebe-se que esse ideal iluminista não é posto em prática, tornando-se uma questão a ser discutida em todas as instâncias da sociedade. Nesse sentido, a baixa qualidade do transporte público e o deslocamento individual dificultam a resolução dessa problemática.
Sob esse viés, baixa qualidade do transporte público influencia nessa adversidade. De acordo com os princípios do filósofo suíço Rousseau, essa situação configura-se como uma ruptura do “contrato social”, já que o Estado não cumpre seu dever de manter a ordem, promover o bem-estar e o progresso do corpo social, para a concretude da igualdade e justiça entre os membros da sociedade. Algo deplorável, haja vista que o transporte comunitário não é ofertado para toda a população que necessita e os que usufruem desse recurso sofrem com a péssima qualidade.
Além disso, o deslocamento individual impulsiona essa problemática. O fluxo do transporte particular é muito grande nas pequenas cidades, e mais ainda nas metrópoles, o que contribui não só para o aparecimento de estresse e ansiedade por parte dos motoristas, como também para o surgimento de engarrafamentos, que ajudam no fortalecimento dessa chaga social. De acordo com Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), nos últimos dez anos, a frota nacional de veículos cresceu 119%, tendo média de um carro para cada 2,94 habitantes. Algo deplorável para a mobilidade nas grandes cidades brasileiras, tendo em vista que a supremacia do transporte individual cria sérios problemas na locomoção.
Para que os ideais de igualdade e liberdade, portanto, não sejam apenas uma aspiração teórica, mas uma medida prática, é fundamental que o governo assegure a cidadania dos cidadãos e crie leis que reduzam a utilização de veículos particulares em horários de pico e aumente o uso do transporte coletivo, como metrôs e ônibus, através de projetos e políticas públicas eficazes. Espera-se, com isso, que todos tenham a garantia da eficiência dos princípios constitucionais e a redução de engarrafamentos, podendo assim, evitar a intensificação dos desafios da mobilidade urbana no Brasil.