Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 01/10/2018

De acordo com o IBOPE, o paulistano passa, em média, o equivalente a 45 dias do ano no trânsito caótico da cidade de São Paulo. Nesse contexto, não há dúvidas de que a mobilidade urbana encontra-se defasada no Brasil, o qual ocorre, infelizmente, não só pela precariedade dos transportes públicos, mas também pelo incentivo do Governo ao uso de transportes individuais.

Convém ressaltar, a princípio, que a má funcionalidade dos meios de locomoção coletivo é um fator determinante para a permanência da precariedade, uma vez que, devido a sua ineficiência, muitas pessoas acabam optando pelo uso de veículos individuais, que garantem aos seus consumidores mais conforto e segurança que os demais. Tal fato é reflexo dos poucos recursos destinados à melhoria dos transportes populares, como ônibus e metrôs que, por negligência do Estado, funcionam de maneira deficiente no Brasil, apresentando problemas como superlotação, desconforto e descompromisso com a população no que  diz respeito à horários.  Em consequência disso, há um consumo desenfreado de carros e motocicletas, o que dificulta o progresso da melhoria da mobilidade urbana no país. Dessa forma, é indubitável que faz-se necessário maiores investimentos do Poder Público nessa área.

Além disso, as medidas adotadas pelo Governo incentivam o uso de Transportes privados no Brasil. Um exemplo disso é a redução dos Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI), que estimula a aquisição de carros pela população. Outrossim, políticas públicas como a duplicação de vias e construção de viadutos, ao invés da implementação ou aumento das ciclovias e faixas de ônibus, é um outro fator responsável por essa problemática. Ao se examinarem alguns países como a França, verifica-se que o sistema de transporte público é muito eficiente. Sem mencionar as mil e quatrocentas estações de bicicletas espalhadas pela capital Paris; realidade que se distancia da dos brasileiros.

Portanto, diante dos fatos supracitados, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Cabe às Prefeituras dos Municípios, juntamente com os órgãos responsáveis pela mobilidade urbana, destinar maiores recursos aos transportes coletivos, com o objetivo de melhorar o seu funcionamento,  qualidade e segurança, para que dessa forma haja um incentivo para a população substituir os veículos privados pelos coletivos. Ademais, é importante também a construção de ciclovias realizadas pelas Prefeituras em suas cidades, pois as bicicletas, além de serem viáveis e não-poluentes, ajudam na redução do tráfego e engarrafamentos e, consequentemente, no melhoramento da mobilidade urbana  no Brasil.