Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 01/10/2018

O Brasil atualmente apresenta sérios problemas de mobilidade urbana. Alguns deles se originaram no princípio do século XX, época em que se intensificaram os processo de industrialização e urbanização.

Nesse período, a crescente migração de pessoas do campo para as cidades aumentou a demanda por moradias. A ocupação dos espaços urbanos para essa finalidade começou a ocorrer de maneira majoritariamente horizontal e espraiada, em áreas cada vez mais distantes das zonas industriais, consolidando a necessidade de deslocamentos cada vez maiores dos trabalhadores.

Ainda no século XX, o Brasil viveu um ciclo de industrialização que priorizou o transporte rodoviário, com a construção de estradas para o interior do país e a instalação de diversas fábricas de veículos. O então presidente Juscelino Kubitscheck afirmou, em tom otimista, que o Brasil cresceria cinquenta anos em cinco. Nesse contexto, o automóvel conquistou espaço, consolidou-se como meio de transporte preferido e como sonho de consumo das pessoas.

Logo os problemas apareceram. Já nos anos 70 os engarrafamentos demonstravam o limite da capacidade das vias. Mesmo pesados investimentos na estrutura viária foram ineficazes diante do persistente crescimento da frota. Atualmente estima-se que 20% do PIB anual seja desperdiçado pelo tempo gasto no trânsito.

A solução do problema passa por diversas abordagens. Devem ser promovidas políticas governamentais para adensamento populacional e dispersão de centros comerciais, visando diminuir os deslocamentos. Os transportes coletivos devem ser aprimorados pelo governo e pelas empresas prestadoras de serviço, através da disponibilização de linhas de metrô. Paralelamente, melhorias mais baratas, fáceis e rápidas de implementar devem ser aplicadas aos ônibus, como a criação de mais faixas exclusivas e sistemas de monitoramento ligados à aplicativos, visando agregar confiabilidade e transparência ao serviço.