Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 02/10/2018
A mobilidade urbana encontra, no Brasil, uma série de empecilhos. Essa tese pode ser comprovada analisando o cotidiano dos centros metropolitanos. Estresse, lentidão, engarrafamentos. Esse é o retrato da ida e volta ao trabalho para diversos brasileiros. Nesse sentido, algo deve ser feito para alterar essa situação.
Deve-se pontuar, de início, a relação entre o subdesenvolvimento do país e os impasses quanto a mobilidade. O processo de industrialização provocou um forte êxodo rural. Contudo, não houve um planejamento por parte do Estado para alocar os novos trabalhadores. Dessa forma, ocorreu uma ocupação acelerada e desordenada. Quem possui mais capital, mora perto do trabalho, portanto, a classe operária moradora das periferias, se desloca diariamente para as fábricas nos centros. Esse fenômeno é conhecido como movimento pendular.
Vale ressaltar, também, que a dificuldade de mobilidade vivenciada no país evidencia práticas históricas de política rodoviarista. Durante o governo Juscelino Kubitschek, houve grandes investimentos na construção de rodovias. Nesse contexto, abria-se um mercado consumidor de veículos, o que atraiu investimentos externos para a fabricação de automóveis. Analisando hoje a decisão de Juscelino, pode-se afirmar que não foi muito inteligente, pois em um país de dimensões continentais como o Brasil, o transporte ferroviário seria o mais adequado.
Diante do exposto, cabe ao Estado promover a ocupação de prédios abandonados nos centros urbanos, por meio de políticas que transformem essas construções em moradias populares, objetivando reduzir o movimento pendular. Ademais, o Estado deve também investir, maciçamente, em transporte ferroviário, favorecendo a diminuição de engarrafamentos, além de ser menos poluente em relação ao combustível queimado.