Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 04/10/2018
O Governo de Juscelino Kubitschek, com seu projeto de “50 anos em 5”, priorizou a mobilidade através de rodovias em detrimento de ferrovias. Apesar das dimensões continentais de nosso país, JK considerou que tal escolha, naquele momento, traria mais investimentos para o Brasil. Contudo, 50 anos depois, vemos as consequências: dependentes das estradas, algumas das maiores megacidades do mundo, como São Paulo e Rio de Janeiro, têm sua mobilidade prejudicada e enfrentam grandes problemas com congestionamento.
É notável, em países como o Japão, cuja população ultrapassa os cem milhões de habitantes, os efeitos que investimentos eficazes em ferrovias e sistemas de transporte subterrâneo têm sobre a vida das pessoas. Sem dúvidas, seria impensável para um japonês passar horas preso em um engarrafamento, em transportes públicos caros e precários. Tal situação, contudo, infelizmente é rotineira na vida de um paulista, por exemplo. Desse modo, podemos inferir que é necessário ao nosso Ministério dos Transportes buscar referências nas resoluções que países desenvolvidos e populosos tiveram sobre o problema da mobilidade urbana.
Além dos extensos congestionamentos, os desafios da mobilidade nas cidades brasileiras também perpassam os âmbitos ambientais, sociais e econômicos. Tanto no que se refere à poluição que o excesso de automóveis nas ruas emite, quanto ao estresse provocado pelo tempo perdido nas estradas, o custo em termos de qualidade de vida é alto. Ademais, a precariedade do transporte público não é condizente com os custos das passagens que são cobradas, principalmente de ônibus. Tal incoerência, inclusive, foi a motivação para o início das manifestações ocorridas em junho de 2013, cujo lema inicial foi “Não é só pelos 20 centavos”, em referência ao aumento das passagens, anteriormente aprovado em São Paulo.
Sem dúvidas, nunca foi apenas pelos 20 centavos. Tratava-se, muito mais profundamente, de qualidade de vida. Nesse sentido, a participação popular ainda se faz necessária, por meio da reivindicação de modificações estruturais, primeiramente nas prefeituras das cidades, a fim de que elas captem recursos junto ao Governo Federal para a priorização de melhorias no transporte coletivo, principalmente subterrâneo, conforme os exemplos de sucesso dos países desenvolvidos. Certamente, é indispensável que os cidadãos se mantenham atuantes em relação às medidas tomadas pelos governantes, a fim de assumir posição participativa nas decisões que afetam diretamente seu dia a dia, como não o fizera há cinquenta anos atrás.