Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 05/10/2018

Durante a segunda revolução industrial, o americano Ford inventou o carro, revolucionando os meios de transportes da humanidade. Contudo, na mundo contemporâneo, o excesso de veículos têm caotizado a mobilidade nos centros urbanos. No contexto brasileiro, que apresenta um dos mais congestionados trânsitos do planeta, dois operadores devem ser considerados na problemática da mobilidade urbana: o excesso da frota de automóveis individuais e o descaso governamental em relação aos transportes coletivos.

A princípio, cabe observar que uma das principais razões da questão tratada é a prevalência da malha viária e dos veículos rodoviários, sobretudo o carro. Tal priorização existe em função das políticas de isenção impostos nos automóveis para impulsionar a economia, como em 2008, durante o colapso econômico internacional. Essas medidas fiscais remontam ao período de modernização do espaço urbano brasileiro e à abertura econômica para as montadoras automobilísticas estrangeiras, ainda na década de 50. Desde então, contudo, essas ações de liberalismos fiscais e econômicos têm inchado consideravelmente os trânsitos urbanos do país, além de obstruir o desenvolvimento dos hábitos de uso de outros transportes coletivos, como trens e metrôs, que ajudariam significativamente à fluidez no trânsito.

Ademais, o baixo investimento do Estado nos transportes coletivos intensificam o impasse da mobilidade urbana brasileira, desestimulando o seu uso pela população. Linhas de ônibus, trens e, principalmente, metrôs muitas vezes não atendem a certos pontos das grandes cidades, resultando inútil para parte da sociedade. Capitais do Norte e Nordeste sequer usufruem de linhas de metrôs. Além disso, a falta de segurança, principalmente à noite, nos pontos de ônibus e nas estações, abismam ainda mais o desuso dos transportes coletivos. Tais fatores, consequentemente, desencadeiam o acúmulo de automóveis nas cidades do Brasil, produzindo intermináveis engarrafamentos.

Portanto, tornam-se evidentes as raízes da obstrução da mobilidade urbana brasileira e as medidas necessárias para a reversão desse quadro. Cabe ao Poder Legislativo a criação de novas taxas na aquisição de um segundo veículo: estimulando, assim, o revezamento do automóvel entre os familiares e, consequentemente, diminuindo o número de veículos nas estradas. Ademais, é imperante ao Poder Executivo o direcionamento de maiores verbas para os transportes coletivos, não apenas para o aumento da segurança nos pontos de ônibus e estações, como também à revitalização das antigas linhas e a criação de novas. Com essas e outras medidas, talvez, o Brasil superará os desafios da mobilidade urbana e poderá se concentrar nas outras dificuldades que também reinam em nosso país.