Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 11/10/2018

Durante a década de 60,  o Brasil deixava de ser um país tipicamente agrário para se tornar industrializado e predominantemente urbano. Além disso, durante esse processo, a desordem e a falta de planejamento das cidades ocasionou diversos problemas referente à locomoção da população e a arquitetura urbanística. Hodiernamente, com o aumento da frota veicular no país, há a necessidade dê-se combater os desafios da mobilidade urbana, principalmente no que rege a cultura do carro próprio e a falta de investimentos em infraestrutura e manutenção de transportes não motorizados.

Em um primeiro plano, é fato que o a cultura do carro próprio auxilia para aumentar os problemas da mobilidade. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito, a frota veicular triplicou nos últimos 10 anos, o que, consequentemente, intensifica os índices de queima de combustíveis fósseis, bem como corrobora para diminuir a locomoção dentro do país. Esse cenário é comprovado pelo fato de haver poucos investimentos em mobilidade pública, como metrôs e VLT(veículo leve sobre trilhos). Isso, por conseguinte, atua como um “gatilho” para que a população busque no carro próprio o conforto e a segurança que desejam. Diante disso, é fundamental um olhar ativo do Poder Público a tal questão.

Outrossim, existe um agravante: a falta de investimentos e manutenção de transportes não motorizados contribui para fortalecer a problemática da mobilidade urbana no Brasil. Conforme o filósofo e sociólogo Zygmunt Baumam, nenhuma sociedade que perdeu a arte de questionar, resolverá os problemas que possui. Nessa perspectiva, é relevante ponderar a importância de haver diálogo entre sociedade civil e Poder Público referente a lei de Mobilidade Urbana de 2012, uma vez que continuar a incentivar e investir em infraestrutura, transportes limpos e ativos, como bicicletários, veículos leves sobre trilhos e acessibilidade, ajudará a diminuir os problemas que envolvem a locomobilidade no país, mas também nos índices de internações hospitalares relacionados a acidentes.

Entende-se, portanto, que ações em conjunto devem ser tomadas para que os desafios da mobilidade urbana sejam superados. Nesse sentido, é dever do Poder Legislativo, por meio de emendas na lei de Mobilidade Urbana, garantir novos investimentos público privado para o transporte coletivo em todas as regiões do país, com o intuito de reduzir a cultura do carro próprio e, de modo consequente, atenuar os altos índices de congestionamentos. Somado a isso, cabe à sociedade civil juntamente com o Ministério dos Transportes, desenvolver projetos de acessibilidade e locomoção ativa, como ciclofaixas de lazer durante os finais de semana, bem como semáforos inteligentes, os quais otimizaram o fluxo veicular nos horários de maior tráfego.