Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 11/10/2018

As Jornadas de Junho de 2013, nome pelo qual ficaram conhecidas as mobilizações populares daquele período, foram os maiores protestos desde o impeachment do presidente Fernando Collor. Tais acontecimentos tiveram como ponto de partida o aumento do preço da passagem de ônibus, fato que trouxe à tona a questão da mobilidade urbana no Brasil, tendo em vista que a péssima qualidade do transporte público era uma das justificativas para pedir o fim do aumento. Não obstante, anos após as referidas manifestações, o Brasil ainda conta com uma mobilidade urbana deficiente, fato desafiante de ser resolvido devido, principalmente, a uma política rodoviarista intrínseca no país aliado a um consumo exacerbado, em que o carro é sinônimo de luxo, o que auxilia na piora do problema em questão.

Mormente, o governo do presidente Juscelino Kubitschek foi caracterizado pelo Plano de Metas, no qual foi o responsável pela vinda de transnacionais automobilísticas e construção de estradas, promovendo a rodoviarização do Brasil. Dessa maneira, investimentos em outros modais, fundamentais para uma melhor mobilidade urbana como veículos leves sobre trilhos e metrôs, ficaram escassos.Com isso, dados da  Confederação Nacional do Transporte (CNT),a título de exemplo, evidenciam um déficit de 850 Km de linhas de metrô nos grandes centros urbanos, fato que ajuda no aumento do número de veículos e na piora dos congestionamentos e da problemática abordada.

Outrossim, assim como promoveu o rodoviarismo, o Plano de Metas de Kubitschek também promoveu uma grande dependência pelas grandes empresas que chegaram ao país e, com o passar do tempo, persistiram em incentivar o consumo exacerbado de carros. Sob tal ótica, o economista britânico Adam Smith afirma que o consumo é a única finalidade e o único propósito de toda produção. De maneira análoga, é correto afirmar que a manipulação promovida pelas propagandas, que se intensificaram com o Toyotismo ao promover a produção sob demanda, originaram o pensamento de que para ser bem visto na sociedade é necessário ter um carro. Dessarte, tal fato irá promover o aumento do número de veículos que piorará a mobilidade urbana.

Infere-se, portanto, que a mobilidade urbana no Brasil é uma questao desafiante de ser resolvida. Destarte, cabe ao Ministério dos Transportes que, em conjunto com as Secretarias Estaduais dos Transportes, promovam o investimento em outros modais, como metrôs e Veículos Leves Sobre Trilhos (VLT’s), por meio do aumento de verbas destinadas a tal, e, com isso, findem a política rodoviartista no Brasil e melhore a qualidade desses servicos a fim de que a populacao deixe de usar seus carros e passem a usar o transporte público. Dessa maneira, as cidades brasileiras resolverao seus maiores problemas e a sociedade  poderá usufruir de excelentes transportes públicos.