Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 23/10/2018
Na “Obra entre quatro paredes”, do filósofo Jean-Sartre , o protagonista Garcin declara a sentença “o inferno são os outros”. Desse modo, afirma sua insatisfação em viver socialmente, vista a pluralidade notória de idiossincrasias humanas – sobretudo, o individualismo. Esse sentido de inconformidade pode ser aplicável ao contexto dos desafios para a mobilidade urbana no Brasil, já que há um descaso politico com o transporte público, além da lenta mentalidade social.
Dessa maneira, é importante salientar que a questão judiciária e sua aplicação estejam entre as causas do problema. De acordo com Aristóteles, no livro “Ética e Nicômaco”, a politica serve para garantir os direitos entre os cidadãos, logo, verifica-se que esse conceito encontra-se deturbado no Brasil, tal fato se reflete nos baixos investimentos em ônibus, frotas e segurança. Sob essa conjuntura, a bióloga e pesquisadora Mércia Soares, em estudo na revista Science, mostrou que em torno de 70% dos trabalhadores que vivem longe do seu local de trabalho sofrem de estresse e demonstram cansaço no emprego.
Além disso, analisando mais profundamente o contexto brasileiro, percebe-se que os desafios da mobilidade urbana manifestam-se quase indissociável à cultura, pois, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, as estruturas sociais são internalizadas pelos indivíduos. De maneira análoga, a sociedade esgotada com a insuficiência dos investimentos públicos em transportes, acredita que a melhor saída é comprar um carro. No entanto, essa medida só faz com que o congestionamento aumente.
Portanto, medidas são necessária para combater o impasse, primordialmente, representantes do executivo e legislativo trabalhem em conjunto, em prol da liberação de verbas para investimentos no setor, de modo que haja decência e eficácia no serviço oferecido ao cidadão. Concomitantemente, a construção de ciclovias em toda a malha rodoviária deve ser iniciada, a partir de capital estatal e privada, com o objetivo de criar outra opção de transporte acessível. Em cenário de crise econômica, em que o corte de verbas é constante, deve-se, no mínimo, flexibilizar os horários do trabalhador, para que esse seja menos prejudicado pelo sistema.