Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 17/10/2018
‘‘Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço’’ , afirmou Isaac Newton. Não obstante, tal afirmação é constatada na prática no que tange aos problemas da mobilidade urbana, uma vez que devido a tais infortúnios, não há um espaço adequado para os automóveis. Nesse contexto, deve-se analisar como a precariedade do sistema de transporte e a cultura do consumo corroboram para a persistência da problemática em questão.
Mormente, a ausência de investimentos em infraestrutura nos modais de transporte contribui para o aclive de tal realidade. Isso porque, atualmente, os veículos públicos não conseguem oferecer segurança, acessibilidade e qualidade para os passageiros, principalmente, na questão dos cadeirantes que sofrem dificuldades por causa das escadas presentes nesse tipo de transporte que impossibilita a entrada, do lotamento dos espaços o que obriga muitos indivíduos a seguirem o trajeto em pé e devido o custo da taxa de locomoção. Tal mazela gera a frustração e insatisfação populacional, o que ocasiona na escolha por outro modal efetivo e popular no meio urbano; os automóveis. Prova disso, é a manifestação ocorrida em 2013 que devastou a metrópole paulistana devido ao alto preço das tarifas, tal realidade ainda presente nos dias atuais.
Ademais, a cultura do consumo onipresente na modernidade está entre as causas. Isso decorre do incentivo das empresas automobilísticas na construção de carros cada vez mais sofisticados e personalizados superiores aos demais modais. Por conseguinte, a camada social brasileira opta por esses tipos de transportes, tanto pela melhoria que ele oferece, como pelo sinônimo de ascensão social que a sociedade impôs, desde o período do ex-presidente JK que após investir no desenvolvimento automobilístico, o carro tornou-se motivo de elevado poder aquisitivo. Tal realidade é retratada nas grandes metrópoles e nas pequenas também, pois a maior parte das ruas estão lotadas a partir da presença desses veículos.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de melhoria do tráfego citadino. Cabe ao Governo Federal com o apoio econômico da Receita Federal investir na construção de novas rotas rodoviárias que integre as cidades por outros caminhos, além de colaborar com a melhoria dos transportes públicos por meio de reformas desses modais para que os direitos de qualidade, segurança e acessibilidade sejam garantidos para todos os cidadãos. Por fim, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) deve elaborar campanhas e propagandas publicitárias que demonstre os benefícios de utilização de outros meios de transporte para que a camada elitizada também assuma a postura de explorar outros meios. Destarte, a afirmação de Isaac Newton deixará de ser a realidade de muitos cidadãos.