Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 18/10/2018

Conforme o urbanista Enrique Peñalosa: “De nada adianta aumentar estradas, construir pontes, abrir mais espaço. Só existe uma maneira de evitar congestionamentos: restringindo o uso de carros”. Concomitantemente ao pensamento do intelectual colombiano, observa-se o ajustamento de sua análise em consonância ao atual contexto de mobilidade urbana no Brasil, principalmente em si tratando do verdadeiro caos que se instala nas grandes metrópoles brasileiras, em decorrência de demasiada frota veicular por suas vias de circulação.

A princípio, é importante ressaltar as dificuldades enfrentadas pela população acerca dos meios de se seu deslocamento: quer seja mediante o próprio veículo em contraste à grandes congestionamentos, quer seja por transportes públicos e sua completa falta de infraestrutura. De acordo com a FGV (Fundação Getúlio Vargas), o número de carros de passeio em áreas de amplo tráfego cresceu cerca de 400% nos últimos dez anos. Nesse sentido, fica evidente a necessidade de melhorias que se deve ter no tocante às condições coletivas, uma vez que apesar das desvantagens trazidas pela primeira alternativa, é ela a quem os indivíduos optam atualmente.

Somando-se a isso, a junção entre estresse, perda de tempo e contato com os vários tipos de poluição adquiridos dentro de um carro, fomenta ainda mais essa discursão pertinente. Consoante ao supracitado, segundo o ISS (Instituto de Saúde e Sustentabilidade), mortes por doenças respiratórias e cardiovasculares provocadas pelos poluentes no trânsito, já ultrapassam o número de óbitos acometidos pela violência em regiões como o Rio de Janeiro. Tal dado exprime, porquanto, a utilidade de inibir tamanha problemática.

Diante do exposto, é primordial que novas concepções de meios de locomoção sejam apresentadas aos indivíduos para a resolutiva desta questão. A priori, o Ministério dos Transportes deve criar alternativas de deslocamentos limpos, tais como hidrovias e trens subterrâneos em consonância às ações propagandísticas, a fim de reduzir os riscos de acidentes e incidência de poluição no meio ambiente. Ademais, para o enxugamento de carros de passeios nas vias urbanas, far-se-á necessário que as prefeituras municipais brasileiras instituam maiores investimentos no tocante ao conforto e infraestrutura de suas conduções coletivas, haja vista que este é o principal motivo de veículos populares estarem habitualmente nas ruas. Só assim a má locomobilidade e suas consequências, como dito por Peñalosa, deixará de ser problema.