Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 19/10/2018

“No meio do caminho tinha uma pedra”. O poema, de Carlos Drummond de Andrade, parece mostrar que algo interfere na trajetória do eu lírico. Dessa forma, posicionando a obra na atual conjuntura brasileira, pode-se afirmar que os desafios da mobilidade urbana, podem muito bem ser interpretados como um obstáculo que impede a caminhada do país. Dessarte, implica aludir o elevado número de carros particulares nas ruas e a ineficácia dos transportes públicos como fatores precípuos à continuidade da problemática.

Em primeiro plano, é mister salientar que o crescente número de automóveis particulares tem um papel primordial nessa temática. Nessa perspectiva, de acordo com a Associação Nacional dos Transportes Públicos, enquanto 57 transportes indivíduais estão ocupando espaço na rua, esse mesmo número poderia ser distribuído em 1 ônibus, o que melhoraria drasticamente o trânsito. Ademais, cabe citar que esse não é um processo que se iniciou agora, mas que tem raízes históricas começando pelo governo de Jucelino Kubitschek, o qual foi responsável pela criação de rodovias no país, assim como também impulsionou e influenciou o comércio de veículos, com o objetivo de obter um país modernizado, como os Estados Unidos. Contudo, o problema é que por causa da lógica capitalista, a preocupação se voltou mais aos números e menos a qualidade das autoestradas.

Outro ponto relevante a ser citado, é a quantidade e a qualidade dos transportes coletivos ofertados pelo governo. Sob esse viés, convém ressaltar que a frota de coletivos, em todo território brasileiro, não é suficiente para comportar os passageiros hodiernamente, tendo em vistas as denúncias recebidas somente no Estado de Pernambuco, pelo Grande Recife, reclamações de atrasos e infraestrutura cresceram 15% em 2017. Em vista disso, é evidente que esse meio de locomoção pode apresentar uma solução quando comparado aos veículos particulares, mas para obter êxito é necessário investir aumentando o número de ônibus e também na infraestrutura.

Em suma, os impasses supracitados urgem ser elucidados. Consoante ao sociólogo Karl Marx: “Um problema só surge quando reunidas condições para solucioná-lo”. Para isso, o Governo Federal, financiado pelo Ministério da Fazenda, por meio de um programa governamental, deve intervir nos Estados criando pedágios estatais, com o fito de diminuir o número de veículos individuais nas ruas, e o dinheiro arrecadado nesses pedágios seria utilizado para ampliação das frotas dos transportes sociais, acarretando em mais ônibus nas ruas, assim como também será aplicado na infraestrutura, não somente das frotas, mas também das pistas, ajudando na diminuição dos desafios da mobilidade urbana. Somente assim, retirando as “pedras” do caminho que se alcançará um país melhor.