Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 21/10/2018
No Arcadismo a expressão “fugere urbem”, isto é, fugir da cidade, foi difundida para simbolizar a fuga da agitação citadina para um local mais calmo como o campo. No entanto, essa vontade bucólica não se restringe ao século XVIII, mas faz-se presente hoje, visto que a mobilidade urbana brasileira tornou-se um problema. Nesse viés, nota-se uma supremacia dos carros nas rodovias, fato que impede o crescimento de outros modais de transporte, sobretudo, os de baixo impacto.
Em primeiro plano, cabe analisar o motivo do predomínio dos veículos individuais motorizados. Nesse sentido, destaca-se a herança histórica deixada por Juscelino Kubitschek, por causa de sua política desenvolvimentista que possibilitou uma expansão, desenfreada, da indústria automobilística, nos meados do século XX. Por conseguinte, ao longo das décadas, consolidou-se uma cultura do carro, visto que possuí-lo, principalmente na contemporaneidade, é sinônimo de status social, logo desperta-se no indivíduo uma enorme vontade de consumi-lo. Desse modo, nota-se que tal favoritismo é responsável pelos trânsitos caóticos e lentos, nas grandes metrópoles, haja vista que o automóvel, na maioria das vezes, é utilizado somente por uma pessoa, ocupando assim mais espaço nas ruas.
Evidencia-se, ainda, o não estímulo ao uso de outros modais. Sob essa ótica, ressalta-se o uso das bicicletas como uma alternativa viável para diminuir os problemas urbanos, como os engarrafamentos, a poluição ambiental e sonora, os quais afetam de forma negativa a saúde tanto mental, por causa do estresse e ansiedade, quanto a física, pois muitos indivíduos passam horas parados no trânsito. Além disso, andar de bike proporciona benefícios ao meio ambiente e às pessoas, proporcionando-as vitalidade, sendo, também, mais acessível e barata, comparando-a com os carros. Sendo assim, é preciso criar um ambiente adequado, nas cidades, para sua utilização, pois segundo afirmou Platão, filósofo grego, “o importante não é viver, mas viver bem”, ou seja, ter qualidade de vida todo dia.
Portanto, é imprescindível que ONGs ambientais, junto à organizações de ciclistas, reivindiquem à Prefeitura, por meio de passeatas e manifestações, mais construções de ciclovias pela cidade, e alertem ao povo sobre a importância de respeitarem os ciclistas no trânsito, utilizando as redes sociais como forma de convite, com o intuito de promoverem um ambiente adequado ao uso da bike. Em consonância, as escolas podem criar projetos que almejam instruir sobre os malefícios da utilização massiva dos automóveis, recorrendo a palestras lúdicas que expliquem a origem do problema, citando JK, também é válido, ainda, que tais instituições estimulem a nova geração a utilizarem o transporte público e o cicloviário, a fim de criar neles hábitos saudáveis e duradouros. Assim, o termo “fugere urbem” poderá ser substituído pelo “locus amoenus”, ou seja, local agradável e tranquilo.