Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 23/10/2018
Todos os dias Maria sai de casa uma hora antes para ir trabalhar. No caminho, ela enfrenta um trânsito caótico e engarrafado. Milhares de carros parecem ter saído às ruas ao mesmo tempo. Os caminhões retardam as filas. Maria se estressa pois, nesse momento, acaba de perder a hora de uma reunião ímpar. Infelizmente, a realidade da maioria das cidades brasileiras é similar a de Maria. Desse modo, é válido analisar os principais desafios da mobilidade urbana no Brasil que vão desde a precariedade dos transportes coletivos até o uso do modal rodoviário para a maior parte do transporte de carga.
Primeiramente, a falta de investimentos nos transportes coletivos é um estímulo ao acréscimo de veículos individuais e, consequentemente, ao inchaço das vias urbanas. Enquanto países europeus, como a Alemanha que possui um sistema de trem, ônibus e metrô integrado e muito eficaz, conseguiram tornar o transporte coletivo a melhor opção para o dia a dia da população. No Brasil, esse transporte ainda enfrenta escassez, superlotação, alto custo relativo e insegurança, devido aos baixos investimentos estatais. Como se isso não bastasse, o governo brasileiro também concede privilégios às indústrias automobilísticas, como a redução do IPI, a fim de incentivar esse mercado. Contudo, se o transporte coletivo não for melhorado, a frota de veículos individuais continuará crescendo e, consequentemente, a falta de mobilidade urbana tende a piorar no Brasil.
Ademais, o fato do transporte de carga brasileiro utilizar, majoritariamente, o modal rodoviário dificulta a fluidez do trânsito. A partir do governo de Juscelino Kubitschek e sua política de desenvolvimento “50 anos em 5”, o Brasil passou a priorizar o modal rodoviário, em detrimento dos outros modais, inicialmente pelo baixo custo de instalação e pelo apoio estrangeiro. Contudo, o esse modal não apresenta a melhor relação custo-benefício para transporte de carga em um país extenso e costeiro. Além de diminuir os gastos com frete, o uso dos transportes ferroviário, marítimo e hidroviário redirecionaria parte do trânsito brasileiro, liberando as vias urbanas do excesso de caminhões e afins. Desse modo, para que haja mobilidade urbana no país, é preciso intervir no transporte de carga.
Nesse sentido, urge que os governos municipais invistam nos transportes coletivos. A partir do desenvolvimento de planos de mobilidade urbana, conforme a lei, que visem a construção e integração de linhas de metrô, trem e ônibus, será possível garantir um transporte público de qualidade a fim de incentivar a redução do uso de veículos individuais pela população. Além disso, é dever do Ministério do Transporte planejar o uso dos modais brasileiros de modo a dinamizar o trânsito. Investir no transporte aquaviário e ferroviário, com a criação de portos e adequação dos trilhos, flexibilizaria o transporte de cargas. Assim, seria possível evitar que a situação de Maria nas cidades do Brasil.