Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 25/10/2018
Com a Segunda Revolução Industrial e a utilização de combustíveis fósseis, especificamente o petróleo, como fonte de energia, os veículos automotores ganharam espaço no cenário mundial. Entretanto, atualmente, com enormes volumes de carros circulantes no brasil, problemas de mobilidade urbana encontram-se presentes na conjuntura brasileira. Desse modo, é válido analisar contexto histórico e os transportes públicos como fatores que influenciam nessa problemática.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que os desafios na mobilidade urbana têm raízes históricas. Isso ocorre, visto que o transporte rodoviário teve impulso na década de 50 por Juscelino Kubistchek, ex-presidente consagrado pela frase ‘‘Governar é abrir estradas’’, fator que promoveu a adoção do modelo rodoviarista em detrimento de outras formas de deslocamento. Assim, a opção adotada por JK fez com que indústrias automobilísticas adentrassem o país, o que gerou um acúmulo de investimentos em transportes individuais. Consequentemente, as políticas que ainda incentivam o uso de carros e o constante crescimento da frota de veículos acarreta trânsitos cada vez mais intensos e dificulta a gestão pública das cidades. Para ilustrar, entre os anos de 2002 e 2012 a população cresceu 12,2%, enquanto o número de automóveis aumentou 138%, segundo dados do DENATRAN.
Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que a Constituição de 1988 assegura o direito de ir e vir a todo cidadão. Contudo, observa-se que não há o cumprimento desse ideal no país. Tal fato acontece devido à precaridade dos transportes de massa, como ônibus e metrôs, haja vista as péssimas condições estruturais, a insegurança e os descolamentos mal planejados. Além disso, faltam medidas públicas para veículos alternativos, como bicicletas, já que as cidades não dispõem de ciclovias. Para corroborar, de acordo com o IBGE, 96% das cidades brasileiras não têm um plano de transporte público. Dessa forma, existe uma contraposição com a máxima defendida por Rousseau, a qual expressa que todo homem nasce livre e a liberdade faz parte da natureza do indivíduo, posto que a inepta gestão do Estado faz com que os cidadãos não usufruam da liberdade de locomoção.
Nesse aspecto, ao Ministério do Transporte em parceria com o Ministério do Planejamento (MP), cabem, mediante planejamento estratégico de programas de investimento em transporte, melhorar a qualidade dos veículos de massa, aprimorando sua segurança, conforto e formular rotas mais abrangentes, além disso o MP, deve elaborar diretrizes para a construção de novos transportes de massa, como metrô e trem, com intuito de diminuir o inchaço das rodovias, aumentar a utilização de conduções coletivas pela população e aperfeiçoar o direito de ir e vir da sociedade como um todo. Por fim, é dever da mídia, mostrar a importância do usa da bicicleta, a fim de reduzir a utilização de carros.