Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 31/10/2018
Dentro do Plano de Metas que visava ‘‘50 anos em 5’’, o governo de Juscelino Kubitschek foi um grande impulsionador da cultura rodoviarista brasileira. Na conjuntura atual, observa-se reflexos desta época histórica, uma vez que a estrutura desenvolvida neste período e durante o Regime Militar não tem se mostrado capaz de suportar a demanda da frota automobilística e acaba promovendo um déficit na mobilidade urbana do país. O inchaço urbano e o incentivo do Governo à compra de carros são importantes desafios para melhoria da mobilidade urbana. Portanto, são necessária medidas que visem a minimização dos problemas gerados na mobilidade urbana.
Em primeiro plano, o inchaço urbano proporcionado pelo intenso êxodo rural ocorrido entre as décadas de 60 e 80 acarretou em urbanização desorganizada. Isso porque, durante a 2ª Revolução Industrial e a Revolução Verde houve a modernização agrícola que visava aumentar a produtividade e melhorar a produção. Com isso, as pessoas que viviam no campo perderam seus empregos e foram para a cidades em busca de novas oportunidades, ocorrendo então uma urbanização rápida e consequente falta de planejamento na organização das cidades.
Além disso, paralelo ao inchaço das cidades há o incentivo do Governo à compra de veículos. Esses incentivos são disponibilizados através da redução de IPI - Imposto Sobre Produtos Industrializados -, financiamentos sem entrada e com prazo que supera oito anos. Dessa maneira, a população opta por adquirir um carro devido ao mau funcionamento dos modais coletivos, como: a falta de pontualidade e de coletivos para atender ao grande número de usuários. Nos noticiários é possível perceber esse excesso de veículos de passeio na conhecida hora do ‘‘rush’’ da Tietê em São Paulo e da Avenida Brasil no Rio de Janeiro.
Dessarte, faz-se necessária a adoção de medidas que visem a minimização dos problemas urbanos ocasionados pela mobilidade. Cabe ao Governo incentivar que as cidades com mais de 20 mil habitantes planejem e executem a política de mobilidade urbana, dentre as quais: organize e preste serviços adequados de transporte coletivo e implantação de ciclovias/ciclofaixas, visando que a população adote tais medidas e haja diminuição dos engarrafamentos. E também cabe a mídia cumprir seu papel de responsabilidade social e conscientizar a população sobre sua importância em vencer os desafios promovidos pela tráfego urbano através do uso de bicicletas, uso de transportes coletivos e fornecer carona aos amigos de colégio ou trabalho que morem na mesma região. É indiscutível que, desde o período JK, o número de veículos cresceu inversamente proporcional ao número de vias e rodovias, sendo importante a aplicabilidade da Política Nacional visando minimizar tais desafios.