Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 26/10/2018

Como declara a Lei da Mobilidade Urbana, lançada em 2012, é obrigatoriedade de municípios com mais de 20 mil habitantes formularem os próprios planos de mobilidade urbana, a fim de melhorar a locomoção dentro das cidades e reduzir os impactos ambientais. Nesse contexto, no Brasil contemporâneo, a mobilidade nos grandes centros urbanos permanece como um desafio. No entanto, a falta de transporte público que atenda às necessidades dos trabalhadores e à questão ambiental, contribuem para o problema.

Em primeiro lugar, a má qualidade dos transportes públicos disponíveis não atende as necessidades dos trabalhadores. Segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o tempo de deslocamento entre o trabalho e moradia em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, dura quase uma hora. Entretanto, além do tempo de deslocamento, fatores como a superlotação, valores altos das tarifas das passagens e a necessidade excessiva de trocar, por exemplo, um ou mais modais para se chegar ao destino levam muitos a optarem pelo uso individual de automóveis, de maneira a piorar a situação do trânsito nas rodovias, o que reflete-se nos engarrafamentos, principalmente nos horários de pico, no qual há o deslocamento de trabalhadores.

Outrossim, essa preferência pelos automóveis individuais automatizados impactam o meio ambiente. Em contraste com o Brasil, na capital da Holanda, em Amsterdam, o principal meio de locomoção dos habitantes, inclusive para o trabalho, é a bicicleta, tanto que transformou-se em um hábito cultural do país. Contudo, nas metrópoles brasileiras, o hábito de usar as bicicletas como meio de transporte caiu em desuso devido ao investimento em massa do Estado na criação de rodovias, excluindo outras alternativas de baixo impacto ambiental, como na construção de ciclovias e ferrovias. Logo, os gases tóxicos liberados pelos automóveis, implicam no fenômeno da ilha de calor, o que prejudica a saúde dos habitantes, provocando doenças respiratórias.

Em suma, é evidente a necessidade de reduzir os desafios que envolvem a mobilidade urbana. Para isso, o Estado deve investir em uma política pública que estimule a escolha de modais alternativos, como a bicicleta, através da implementação de ciclovias nos centros urbanos, e disponibilize as bicicletas por intermédio de um cartão com preços acessíveis aos trabalhadores, de forma a substituir os automóveis e, gradualmente, diminuir o tempo de deslocamento entre trabalho e moradia. Assim, as cidades se tornarão ecologicamente mais sustentáveis e a população brasileira mais ativa, favorecendo a qualidade de vida.