Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 26/10/2018
Em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig, fugindo da perseguição nazista na Europa, radicou-se no Rio de Janeiro, onde escreveu um livro cujo título é até hoje proferido: Brasil, país do futuro. Contudo, ao constatar-se a crescente crise da mobilidade urbana nacional, é possível perceber que o pressuposto não saiu do papel. Esse quadro, que persiste intrinsecamente ligado à realidade brasileira, é fruto das preferências sociais e da negligência governamental.
Mormente, vale ressaltar que a grande quantidade de automóveis no Brasil contribui para esse problema. Durante o Governo de Juscelino Kubitschek, a economia foi aberta para o capital estrangeiro e a implantação de automobilísticas foi incentivada no país, o que tornou o carro um dos meios de locomoção mais requisitados na sociedade. Com isso, a população passou a optar pela condução privada, que transporta menos pessoas e ocupa mais espaço, em detrimento da pública, fato que acarreta grandes congestionamentos rodoviários. Dessa forma, é necessário transfigurar o modal predominante no país para amenizar a situação.
Outrossim, a questão constitucional e sua aplicação corroboram com o continuísmo dessa conjuntura. Segundo Aristóteles, a base da sociedade é a justiça e, por meio dessa, um equilíbrio deve ser alcançado. Todavia, no Brasil, essa harmonia é rompida, haja vista que embora exista a lei da Mobilidade Urbana, que possui como objetivo a melhora da acessibilidade, essa não ocorre com proficiência no que tange aos deficientes. Essa população enfrenta dificuldades diárias devido às várias ruas esburacadas, calçadas em condições precárias e falta de rampas pelas cidades, fatores que comprometem a locomoção. Assim, evidencia-se a importância do reforço da prática da regulamentação como forma de combate a problemática.
Diante do exposto, cabe ao Governo Federal destinar maiores verbas aos ônibus do país, principal meio de transporte público rodoviário, melhorando o seu conforto e diminuindo o preço da tarifa, com o intuito de incentivar a população a utilizá-lo, além de investir em outros meios, como o metrô, a fim de descongestionar as estradas. Ademais, as Prefeituras devem melhorar as condições das vias públicas das cidades, estabelecendo obras em locais que necessitam, garantindo que os deficientes sejam plenamente atendidos no que diz respeito à mobilidade. Destarte, essa conjuntura será superada e a profecia de Zweig tornar-se-á realidade no Brasil.