Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 30/10/2018
A Constituição Federal de 1988 assegura a todos os cidadãos o direito de ir e vir no artigo 5, inciso XV. Entretanto, no atual cenário brasileiro, nota-se que essa é mais uma lei desrespeitada, tendo em vista os desafios de mobilidade urbana enfrentados pelo tecido social, entre eles, destacam-se, a ineficiência nas políticas pública de transporte e a segregação socioespacial.
A priori, cabe frisar a irresponsabilidade política na problemática. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, seja alcançado o equilíbrio na sociedade. Nesse viés, percebe-se que o descaso governamental com a mobilidade urbana rompe essa relação, visto que grande parte dos municípios terceirizam o serviço de transporte coletivos para empresas privadas que realizam a função de forma a gastar o mínimo possível, logo o resultado é de má qualidade. Além disso, não existe planejamento urbano, o que corrobora para a falta de meios de locomoção sustentáveis, como exemplo, a criação de ciclovias. Desse modo, há deslocamentos mal planejados e sobrecarregamento dos espaços.
Consequentemente, a injustiça é mais um problema presente na questão. Uma vez que a infraestrutura privilegia a população mais rica, que pode se locomover em automóveis próprios, em detrimento das minorias sociais que têm acesso restrito a cidade que pertencem. Diante dessa perspectiva, a máxima do ativista Martin Luther King de que “A injustiça num lugar ameaça a justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. Por conseguinte, tem-se a marginalização dos mais pobres.
Infere-se, portanto, a necessidade de solução para tais fatores. Com isso, muitas medidas precisam ser tomadas para resolução completa do impasse, porém, como colocou o poeta britânico Oscar Wilde, “O primeiro passo é o mais importante para evolução de um homem ou nação”. Destarte, o Ministério do Turismo, o Ministério da cultura e o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes devem atuar juntos na construção de bairros auto-suficientes, através da revitalização de espaços abandonados em centros de cultura e turismo, bem como implementação de ciclovias nas áreas periféricas, para que as pessoas encontrem empregos em seus bairros e a movimentação para os centros das metrópoles diminua. Assim, a população brasileira começará a ter o direito constitucional supracitado efetivado com qualidade.