Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 31/10/2018
As sociedades, historicamente, organizam-se onde há melhores oportunidades de subsistência. A partir das Revoluções Industriais, as cidades assumiram tal papel, mesmo despreparadas para o caos proporcionado pela vertiginosa migração. Ainda hoje, complexas e excludentes dinâmicas locacionais persistem fortemente enraizadas, cerceando o ir e vir dos cidadãos. Assim, urge explicitar os paradigmas sociais e estruturais que, uma vez superados, podem elevar a realidade citadina a limiares verdadeiramente céleres.
Em primeiro lugar, convém considerar os aspectos técnicos e financeiros que contribuem para a hodierna inércia nas urbes. No processo de formação das cidades, convencionou-se concentrar postos de emprego e serviços nos centros, de modo a elevar o custo de vida desses locais e torná-los elitizados. Com efeito, os trabalhadores, dotados de escassas oportunidades, foram alocados em zonas periféricas, distantes das áreas para as quais precisam se deslocar todos os dias. Dessa forma, para alcançarem mobilidade, tais indivíduos enfrentam longas jornadas de viagem, condicionados a serviços de transporte ineficientes e, muitas vezes, sucateados.
Ademais, é importante destacar as nuances estruturais responsáveis por limitar opções de locomoção. Durante seu governo, Juscelino Kubitschek realizou, como parte de sua política desenvolvimentista, investimentos profundos na indústria automobilística. Marcas históricas desse nível são, hoje, claras nas tendências rodoviaristas nacionais que limitam a matriz de transporte brasileira a um único - e, frequentemente, problemático - modal. Sem variedade, o cotidiano das metrópoles submete-se cultural e economicamente ao automóvel, naturalizando cenários de completa paralisação.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de diluir os abismos organizacionais da mobilidade na rede urbana nacional. Faz-se imperioso que o Ministério dos Transportes, junto ao Ministério das Cidades, trabalhe no sentido de proporcionar opções mais vastas e de maior qualidade para o trânsito de pessoas. Para tanto, cabe a tais órgãos oferecer incentivos fiscais às empresas de transporte em massa e de veículos alternativos, com o fito de reduzir para o consumidor, por exemplo, taxas sobre passagens de ônibus e relativas à aquisição de bicicletas. Além desse atrativo financeiro, os municípios devem investir em infraestrutura que garanta a segurança para o uso contínuo desses meios diversificados, como ciclovias, ciclofaixa e corredores de ônibus. Dessarte, será tangível, paulatinamente, fortalecer um ambiente citadino com efetivo grau de dinamicidade.