Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 31/10/2018

O problema da mobilidade urbana tem origem na Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra, em meados do século XIII. O número crescente de fábricas gerou a necessidade de um sistema de transporte eficiente para facilitar e dinamizar o deslocamento de seus trabalhadores. Esta, contudo, é uma mazela que está longe de ser resolvida no Brasil, posto que verifica-se diuturnamente infindáveis engarrafamentos nas médias e grandes cidades do país. Convém, desta forma, o estudo das consequências e empecilhos desta problemática.

Em primeira análise, é importante destacar a baixa qualidade do transporte coletivo público brasileiro, onde é corriqueiro encontrar ônibus sucateados e usualmente lotados nos horários de pico, onde os passageiros viajam em situações muitas vezes degradantes. Como consequência, é grande o número de pessoas que opta pelo carro individual, sobrecarregando o sistema viário das metrópoles. Pesquisas recentes indicam que o paulistano passa em média até 45 dias por ano em engarrafamentos. Tais dados não são consoantes com a Constituição Cidadã, promulgada em 1998, onde no seu parágrafo primeiro garante a dignidade da pessoa humana.

Outrossim, alguns problemas atravancam a resolução desse impasse. Um exemplo disso é o baixo interesse do poder público em outros sistemas de transporte urbano. A adoção, no governo JK, do modal rodoviário como prioritário na nação, inibiu investimentos em sistemas mais efetivos de transporte de massa como o ferroviário. Além disso, o aumento da criminalidade urbana elevou a quantidade de assaltos em coletivos. Tal fato se refletiu num sentimento de constante insegurança na população, o que afasta potenciais usuários do um serviço, e acaba por sobrecarregar ainda mais as ruas e avenidas das maiores cidades.

Portanto, medias devem ser tomadas no sentido de solucionar esse dilema. Nesse sentido, as três esferas do Poder Executivo - Federal, estadual e municipal - devem unir esforços na direção de renovar e aumentar as frotas de ônibus em todo país. Concomitantemente, faz-se mister o investimento por parte destes agentes em infraestrutura, com a criação de linhas de metrô, VLT - veículo leve sobre trilhos, ciclovias e corredores exclusivos para ônibus nas maiores concentrações urbanas, com o objetivo de facilitar e tornar mais fluido o deslocamento dos cidadãos. Da mesma forma, o poder legislativo federal deve aprovar leis que diminuam a carga tributária para a aquisição destes equipamentos, assim como dos combustíveis em geral, no sentido de diminuir o valor das passagens. Como medida complementar, aplicativos de carona e compartilhamento de veículos devem ser incentivados e adotados pela população, visando diminuir o fluxo nas vias.