Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 30/10/2018

Enrique Peñalosa, ex-prefeito da cidade colombiana de Bogotá, disse, em um dos seus discursos, que o símbolo da falta de democracia é termos carros estacionados nas calçadas. Tal afirmativa resume bem o problema da mobilidade urbana brasileira, em que a falta de qualidade e disponibilidade do transporte coletivo, aliada ao enorme número de carros existentes nas médias e grandes cidades, causado, muitas vezes, pela segregação espacial, colaboram para ampliar o caos urbano existente em muitas cidades do Brasil.

No âmbito citadino, a falta de disponibilidade e de qualidade do transporte público evidencia a crise da mobilidade urbana, na medida em que, no contexto das grandes cidades, filas, ônibus e metrô lotados são realidades vivenciadas por quem não possui condições de obter transporte individual. Além disso, o alto preço das passagens dos ônibus é outro fator que colabora com a falta de acesso da população ao transporte coletivo, o que expõe a inércia governamental para com translado urbano.           Outrossim, a segregação espacial causada pela falta de planejamento das cidades é outro fator que aumenta a desordem no trânsito, visto que os indivíduos com maior poder financeiro, ao optarem por transporte individual, aumentam o fluxo de automóveis nas ruas, principalmente durante certos horários do dia em que a locomoção é mais intensa. Assim, determinados trechos das cidades ficam lotados, com engarrafamentos quilométrico, enquanto outros, em que não há grande fluxo de veículos, como as áreas periféricas, ficam desocupados.

Dessa maneira, diante dos fatos expostos, medidas são imprescindíveis para que se possa intervir no problema. Logo, cabe ao Ministério dos Transportes, em ação conjunta com o Ministério das Comunicações, incentivar a população ao uso do transporte coletivo. Para isso, é necessário o aumento de impostos para os que optam por transporte individual. Tais arrecadações serão convertidas na melhoria da locomoção pública, como aperfeiçoamento e expansão da frota de ônibus e metrôs, além da diminuição do preço das passagens. Após isso, o Ministério das Comunicações deve ampliar a divulgação das melhorias feitas, por meio de propagandas, o que acarretará, gradativamente, na diminuição do caos urbano.