Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 31/10/2018
O investimento no setor rodoviário no Brasil se deu, principalmente, a partir do governo de Juscelino Kubitschek, em que houve uma abertura na economia para o capital estrangeiro, com a consequente instalação de diversas empresas automobilísticas no país. Esse cenário levou o Brasil à uma dependência do setor rodoviário e ao excesso de veículos nas ruas, causando problemas de mobilidade urbana. Dessa forma, é necessária uma discussão sobre os fatos relacionado a essa causa, sobretudo no que tange às ações governamentais.
Cabe destacar, de início, que o quebra-cabeça da mobilidade urbana é decorrente, claro, da dependência extrema do setor rodoviário, comprovada pela greve dos caminhoneiros em maio de 2018, em que o país quase parou devido à falta de combustível nas cidades. Entretanto, a precariedade do transporte público também é um dos fatores contribuintes para o aumento da problemática, haja vista que, ao se depararem diariamente com essa debilidade, os cidadãos buscam meios de chegar ao seu destino com maior conforto e agilidade. Essa realidade levou ao aumento da procura por automóveis, causando engarrafamentos cotidianos. Ademais, o sistema de crédito e financiamento facilitou a aquisição dos automóveis pela população, auxiliando, também, nesse processo.
Vale ressaltar, ainda, o pensamento do sociólogo, Émile Durkheim, “O homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela”. A partir de tal premissa, é possível entender que, com o surgimento do capitalismo, houve o aparecimento de uma sociedade acumuladora de bens e de capital, levando ao consumismo exacerbado. Esse consumismo, associado à falta de alternativas de mobilidade, como a escassez de ciclovias e de metrôs, além da insegurança ao utilizar o transporte público, agravam essa problemática. Desse modo são necessárias medidas governamentais que visem a redução efetiva, porém a longo prazo, desse problema, visto que as medidas à curto prazo, como foi o caso do rodízio de placas em São Paulo, não são muito efetivas, uma vez que muitas pessoas compraram outro carro para não serem afetadas pelo rodízio.
Diante de tais argumentos, portanto, torna-se necessário que o Estado, junto ao Ministério dos Transportes, promova um melhor planejamento urbano, investindo não só em transporte público e vias de trânsito exclusiva a este, mas também em segurança e em ciclovias, além de promover a intermodalidade de transporte, não dependendo somente do modal rodoviário. Isso pode ser feito por meio do redirecionamento de verbas e da disponibilização de profissionais capazes de realizarem projetos efetivos de planejamento, a fim de reduzir os engarrafamentos e incentivar pessoas ao uso do transporte público, reduzindo, assim, os problemas de mobilidade urbana no país.