Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 02/11/2018

Com o Governo de JK, o transporte rodoviário no Brasil teve impulso a partir do modelo rodoviarista, que incentivava a instalação de indústrias automobilísticas no Brasil. De lá pra cá, as rodovias se tornaram o maior sistema de transporte, gerando a crescente crise da mobilidade urbana. Seja pelo carrocentrismo típico no Brasil, seja pela baixa infraestrutura dos transportes públicos e das vias cicláveis, a resolução dessa problemática é dificultada, o que configura um grave problema social.

Em primeiro lugar, é perceptível que a cultura individualista típica no Brasil influencia no aumento de automóveis nas cidades. Esse advém da ascensão da classe C, gerada pelas políticas governamentais, como as do Governo PT, que foram voltadas para minimizar a pobreza no país, e, assim, facilitam o acesso ao crédito. Sendo assim, vale ressaltar o que Karl Marx, filósofo e sociólogo, denominou em sua obra “O Capital” de “Fetiche de Mercadoria”, ou seja, de maneira análoga, o carro deixa de ser uma mercadoria para os brasileiros e ganha vida própria. Uma das maiores consequências disso é o congestionamento, que causa vários impactos ambientais, como a poluição. Segundo dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), 90% da poluição na cidade de São Paulo é causada pelos carros. Assim, com esse número alarmante, são necessárias soluções que tornem o trânsito mais fácil para os moradores.

Em segundo lugar, é notável que a má qualidade nos transportes coletivos e nas ciclovias afeta na mobilidade urbana. A falta de segurança e a lotação dos transportes públicos juntamente com os baixos números de ciclovias nas cidades fazem com que os brasileiros prefiram o conforto dos seus carros, já que as outras formas de deslocamento não têm infraestrutura. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) mostra que 59% dos entrevistados são a favor da construção e ampliação de ciclovias, visto que facilitaria o seu transporte e ainda melhoraria sua qualidade de vida. Urgem, portanto, ações que transformem esse panorama caótico.

A fim de reverter a problemática que envolve a mobilidade urbana, são necessárias algumas ações. Cabe a Secretaria de Transportes e de Mobilidade Urbana construir ciclovias nas cidades, com eficiência e com amplitude, por intermédio de capital estatal e privado, como foi implantado em Bogotá, se tornando a cidade onde mais se anda de bicicleta na América Latina. Além disso, é preciso criar campanhas instrutivas para reduzir o congestionamento nas ruas, através da mídia, que tem grande influência sob a população, com projetos como o Carona solidária, que alternam automóveis particulares entre duas ou mais pessoas. Assim, será possível diminuir o inchaço de veículos no trânsito e estimular o deslocamento por outros meios.