Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 03/11/2018

Inchaço urbano

Durante o governo de Juscelino Kubitschek, com o plano desenvolvimentista, ocorreu a ‘política rodoviarista’, isto é, foi priorizado o modal rodoviário a partir do investimento em estradas e atração de multinacionais, principalmente do setor automobilístico, em detrimento das outras formas de deslocamento. Destarte, a mobilidade urbana no Brasil sofre alguns desafios devido à falta de diversificação de seus modais de transporte.

Primeiramente, é indubitável que a partir da década de 60, com o êxodo rural, os centros urbanos brasileiros cresceram sem planejamento urbano, logo, não houve investimento em infraestrutura de transporte alternativo, como as ciclovias. Ademais, em consequência da ‘macrocefalia urbana’, o crescimento desordenado das cidades, acentuou-se a favelização e criminalidade, haja vista que a população de baixa renda foi segregada para a periferia, o que acarretou na falta de segurança. Isto posto, pela escassez de proteção nas vias públicas, a maioria da população prefere o automóvel individual como meio de transporte.

Outrossim, é tácito que os transportes públicos carecem de eficiência e de segurança, posto que muitos metrôs e ônibus enfrentam a superlotação por não haver investimento e quantidade suficiente dos mesmos. À vista disso, os passageiros enfrentam locais apertados e correm maior risco de acidentes por não estarem bem alocados, além dos prejuízos à saúde causados pelo estresse e cansaço. Não obstante, muitos brasileiros, por morarem longe de seus empregos, realizam diariamente a migração pendular, o que contribui para o aumento da procura por transportes coletivos ou uso de veículos individuais e resulta na saturação desses transportes.

Portanto, para que os desafios da mobilidade urbana no Brasil sejam superados, cabe ao Estado, em conjunto com o Ministério dos Transportes, melhorar a infraestrutura dos transportes coletivos e alternativos ao investir em novos veículos e ciclovias, e aumentar o policiamento nas ruas para garantir segurança aos cidadãos da cidade. Em consonância a isso, deve-se incentivar a população, através de campanhas nos meios de comunicação, a adotar a carona coletiva para reduzir o número de automóveis individuais e assim reduzir o inchaço nas vias públicas. Desta forma, a população será mais encorajada a optar pelos transportes públicos e meios alternativos.