Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 01/03/2019

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a Mobilidade Urbana, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática é intrinsecamente ligada à realidade do pais. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o aumento significativo da circulação de veículos nas rodovias rompe com essa harmonia, haja visto que com as más condições dos transportes públicos as pessoas preferem um automóvel particular. Portanto, o inchaço urbano provocado pelo elevado acúmulo de carros no trânsito tem impulsionado o aumento das taxas de acidentes chegando a ter 22,5% de mortes a cada 100 mil pessoas. Além disso, vários problemas de saúde como o estresse e arritmia cardíaca por conta dos gases tóxicos.

Desse modo, é preciso atentar para impunidade presente na questão. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que " a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar". Nesse sentido, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva no que tange a mobilidade urbana.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Para que isso ocorra, o Ministério do Transporte deve melhorar as condições dos transportes públicos, assim, promove a diminuição do tráfego de veículos nas rodovias e proporciona conforto para as pessoas. Ademais, como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, essas mudam o mundo. Logo, o Estatuto da cidade deve instituir, nos bairros e vilas, palestras ministradas por engenheiros, urbanistas e geógrafos, que discutam o combate a mobilidade urbana, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.