Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 15/02/2019

A banda ‘‘O Rappa’’ em sua música ‘‘O rodo cotidiano’’ retrata poeticamente a dificuldade de se locomover pelas grandes cidades por conta de vários empecilhos na mobilidade urbana. Tal realidade, nesse sentido, é análoga nas metrópoles brasileiras pois não só a má qualidade do transporte público é a causa direta desse problema, mas também o consumismo agrava ainda mais essa questão. Logo, é necessário que governo e sociedade cooperem para intervir nessa problemática.

Em primeira análise, a negligência das prefeituras com o transporte coletivo obriga as pessoas a optarem pelo uso de automóveis. Isso ocorre devido às más condições dos ônibus coletivos, os quais são insalubres, barulhentos, lotados e desconfortáveis, assim como é flagrado diariamente nos telejornais. Tais características, nesse sentido, ferem o acordo do país com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em seu Artigo 1º diz que todo ser humano deve levar uma vida digna. Portanto, com um transporte público de péssima qualidade, fica difícil cobrar da população a optá-lo como alternativa para melhorar a mobilidade urbana.

Outrossim, o consumo exagerado de automóveis torna-se um desafio na relação contraditória entre comprá-los e garantir um trânsito fluido. Esse paradoxo acontece por causa do volume estratosférico de carros que circulam nas médias e grandes cidades e que são ocupados apenas pelo motorista, provocando um engarrafamento caótico. O desejo de comprar um veículo, nesse caso, é justificado pelo poder da indústria cultural que desperta falsas necessidades no consumidor que, muitas vezes é imediatista, tal como é explicado pela escola de Frankfurt. Desse modo, precisa-se mobilizar os cidadãos à uma reflexão sobre suas reais necessidades e pensar coletivamente no que tange ao ir e vir da população, sobretudo nas capitais do país.

Fica claro, então, que o poder público e a coletividade devem unir-se a fim de melhorar a mobilidade nas cidades. Por isso, é papel das prefeituras tornar o transporte público de qualidade, tal qual ele é em países desenvolvidos, por meio do aporte financeiro da União na contratação de ônibus com boa climatização, higiene, poltronas confortáveis e ausência de superlotação, a fim de atrair a população a utilizá-lo e deixar os seus automóveis em casa. Ademais, ONGs e líderes comunitários devem fazer campanhas de carona solidária, por meio de grupos em redes sociais e propagandas nos bairros, com o intuito de estimular os motoristas a ocuparem todos os assentos dos seus automóveis, diminuindo, dessa forma, o engarrafamento e a demora para se locomover nas cidades brasileiras.