Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 28/04/2019

As manifestações de junho e julho de 2013 trouxeram a tona a questão da mobilidade e da acessibilidade, onde as pessoas protestavam contra o aumento das tarifas do transporte publico. A mobilidade urbana é um problema antigo, já que além de o Brasil ter sido planejado com base em um modelo rodoviarista, as cidades são estruturadas de forma a privilegiar os motoristas com relação aos pedestres.

Além disso, a maioria das cidades brasileiras também é refém de um transporte público de má qualidade, inacessível para uma grande parcela da população, e que não comporta o crescimento populacional e as suas respectivas necessidades. Esses fatores, somados ao contexto uma sociedade consumista e de um capitalismo selvagem, fazem com que o cidadão almeje adquirir um veículo particular, ganhando status social e conferindo ao automóvel um significado de praticidade e liberdade de ir e vir.

Como consequência, temos que enfrentar, entre outros problemas, o engarrafamento intenso, poluição , alteração climática e aumento da desigualdade social, já que ter que se deslocar certas distancias para trabalhar ou estudar acaba sendo inviável para uma grande parcela populacional, devido ao tempo e dinheiro gastos com o transporte.

Diante do problema, medidas paleativas devem continuar sendo tomadas pela população, como o uso de aplicativos de carona solidária e o aluguel de patinetes e bicicletas para deslocamento urbano. Porém deve haver uma mobilização popular em grande escala para que a tarifa zero se torne uma realidade, sendo feita através de um Fundo de Transportes que utilizará recursos arrecadados em escala progressiva. Dessa forma, as pessoas pagam proporcionalmente a sua condição financeira, e quem não pode não paga. A tarifa zero é o meio mais prático e efetivo de assegurar o direito a um serviço público essencial que deve ser acessível a toda a população, sem exclusão social.