Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 08/05/2019

Em 1908, com o lançamento do modelo do Ford T, Henry Ford promoveu não apenas a popularização de automóveis, mas ainda a racionalização do sistema de produção dos mesmos. Mais de um século depois, no entanto, o crescimento exorbitante de veículos em circulação, bem como a precária qualidade dos transportes causa graves problemas na mobilidade urbana brasileira. Visto que, além de resultar em um tráfego desordenado, a superlotação contraria o princípio de livre circulação defendido pelo artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Com efeito, torna-se fundamental debater os impactos e consequências desse quadro, assim como maneiras de o interromper.

Em primeira análise, é fato que o rodoviarismo Juscelinista configura na sociedade brasileira como resquício de uma mentalidade individualista e excludente, uma vez que as facilidades do mercado automobilístico parecem ofuscar as vantagens do transporte coletivo. Em virtude disso, é comum observar problemas como superlotação, altas tarifas e precariedade estrutural, fatores que associados à má estrutura das estradas, aumentam, consequentemente, o risco de acidentes associados à direção. Prova disso são os levantamentos apontados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), segundo os quais, somente em 2017 foram registrados 89.396 acidentes decorrentes da má infraestrutura das rodovias.

Assim, ficam evidentes os prejuízos que a deficiência na mobilidade urbana no brasil causa ao âmbito social. Esse campo, entretanto, não é o único infortunado por tal problema. Biologicamente, é possível afirmar que a ineficiente rede locomotiva do país é responsável por agravar as poluições atmosférica e sonora das localidades onde se mostram mais presentes. Além disso, muitas vezes, devido à falta de planejamento urbano, as “áreas verdes” dão lugar a ferrovias ou estradas, as quais, em geral, não amenizam o problema de congestionamento nas cidades, assertiva comprovada historicamente pelas equivocadas ideias desenvolvimentistas, já citadas, de Juscelino Kubistchek.

Considerando os aspectos mencionados, torna-se claro, portanto, a necessidade de medidas para combater a situação. Para isso, é indispensável que, além da ampliação da rede pública de transportes, ações como a implantação de ciclovias e a adoção do rodízio veicular sejam executadas em todas as metrópoles nacionais pelos governantes, de modo a visar o fim dos congestionamentos e, consequentemente, à redução dos problemas ambientais. Com isso, a fim de reduzir o número de carros particulares nas vias citadinas, é conveniente que os ambientalistas, com auxílio da mídia, estimulem, por meio de campanhas, o uso de veículos coletivos pela população. Apenas sob tal condição, será possível minorar os desafios do tráfego brasileiro.