Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 12/05/2019
Desde o governo de Juscelino Kubitscheck, com a instalação de montadoras de automóveis no Brasil, o Estado elegeu o carro como principal meio de transporte da população, fomentando o seu consumo mediante incentivos fiscais e construção de estradas. Com o grande crescimento populacional e a urbanização desorganizada, a escolha desse modal culminou em problemas de mobilidade urbana. Nessa perspectiva, é inconcebível, para um país que busca o desenvolvimento e a dignidade dos seus cidadãos, não enfrentar a questão da mobilidade urbana, visto que essa mazela impacta diretamente na produtividade e na qualidade de vida das pessoas.
Em primeira análise, o inchaço dos grandes centros urbanos e a segregação socioespacial existente nas cidades são aspectos que contribuem para este transtorno. Nesse contexto, como os empregos, escolas, hospitais e demais serviços concentram-se nas regiões centrais das cidades, os indivíduos que moram nas periferias perdem horas em engarrafamentos para ter acesso a essa infraestrutura.
Em segunda análise, a precarização do sistema de transporte público e das estradas é outro fator que corrobora para o agravamento dessa problemática. Nesse sentido, o desvio de recursos públicos, a gestão incompetente das verbas restantes, somados a tímida criação de políticas públicas eficientes para o tema desestimulam os cidadãos a optar por transportes coletivos. Ademais, os assaltos recorrentes em ônibus e metrôs são outras mazelas que desencorajam os cidadãos a deixar o carro em casa e usar meios de locomoção coletivos.
Em suma, a questão da mobilidade urbana é um complexo desafio que exige comprometimento dos governantes e da sociedade. Portanto, cabe ao Ministério das Cidades em parceria com Governos Estaduais e Municipais criar políticas públicas que ofereçam infraestrutura de serviços essenciais nas periferias das cidades, além de fomentar, mediante incentivos fiscais, a construção de supermercados, shoppings e empresas nessas regiões, afim de distribuir a oferta de empregos e serviços pelas periferias. Outrossim, indústrias e empresas precisam ser estimuladas, pelo Estado Brasileiro, a se instalarem em cidades menores, como meio de mitigar o inchaço populacional das metrópoles. Em paralelo, é preciso mitigar a corrupção e a má gestão dos recursos públicos, por meio de auditorias realizadas pelo Ministério Público em empresas de transportes coletivos e Secretarias Municipais e Estaduais. Por fim, urge a diversificação dos modais de transporte, promovendo a implantação de metrôs e veículos leves sobre trilhos (VLT), como alternativa para diminuir o número de veículos nas estradas. Assim, a sociedade será estimulada a deixar o carro na garagem e usar transportes coletivos.