Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 23/05/2019
Na Biologia quando ocorre um bloqueio em uma veia, as hemácias são impedidas de circular. Tal fato, causa prejuízo para aquele ser que possui um complexo sistema. De maneira análoga, na sociedade contemporânea em que as hemácias são os carros e as veias são as vias, um congestionamento também traz transtornos à mobilidade urbana do local, de modo que cause danos a população. Diante disso, convém refletir em medidas que solucionem a problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que o aumento expressivo da frota brasileira - de 24 milhões para 50 milhões de veículos no período de 2001 até 2012 - e a precariedade dos transportes coletivos corroboram com o entrave. Além disso, de acordo com o pensamento de Adorno e Hockheimer a Indústria Cultural traduz o desejo de consumo em uma pseudo-felicidade. Tal fato é muito prejudicial, pois, persuade o indivíduo a comprar e trocar o automóvel numa frequência muito maior do que a real necessidade. Nesse contexto, surge um trânsito caótico e ineficiente, oriundo da exacerbada quantidade de veículos circulando.
Por outro lado, é importante citar que a mobilidade urbana está intimamente ligada com o planejamento urbanístico que o Estado delineia para suas cidades. Nesse cenário, em que houve um rápido e desordenado crescimento urbano no final do Século XX, as vias de circulação não acompanharam esse desenvolvimento, além de não receberem manutenções suficientes. Essa conjuntura, reflete o descaso do Governo em cumprir com as obrigações firmadas na Constituição de 1988, a qual garante o direito de ir e vir.
Diante dos fatos supracitados, é necessário que as prefeituras e secretarias municipais de desenvolvimento e mobilidade urbana, apurem e invistam nas necessidades específicas de seus municípios, como ciclovias, transportes alternativos e coletivos. Além disso, as prefeituras devem por intermédio de parceiras com empresas privadas, oferecer incentivos fiscais em troca de cuidados e manutenção das vias. Dessa forma, não onerar as contas públicas e garantir segurança para a população. E assim, com todas essas medidas em conjunto, as cidades, tal qual um sistema complexo e interligado funcionará em harmonia e trará desenvolvimento e crescimento para o país.