Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 30/05/2019
É assegurado constitucionalmente, desde 1988, o direito de ir e vir. Entretanto, as péssimas condições de deslocamento, sejam pela atual situação dos meios de transporte público, ou pela falta de acessibilidade, impedem que os cidadãos brasileiros possam usufruir desse direito na prática. Diante dessa perspectiva, torna-se necessária a tomada de medidas que possam resolver essa problemática da mobilidade urbana no país.
Convém analisar primeiramente a relação entre as condições do transporte público e os problemas de trânsitos nas grandes cidades brasileiras. Devido a baixa qualidade de ônibus e metrôs fornecidos à população, boa parte das pessoas utilizam carros particulares para se locomoverem, gerando um alto número de veículos circulando diariamente. Tal situação pode ser comprovada por meio de pesquisas, como a realizada pelo DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito), em 2013, na qual revelou-se que para cada quatro brasileiros existe um automóvel. Essa grande quantidade de carros nas ruas resulta em um trânsito caótico, com engarrafamentos quilométricos.
Cabe destacar, também, que além de estar em uma péssima situação, o transporte público é excludente. Dada a definição de mobilidade urbana como sendo a facilidade de deslocamento dos indivíduos pela cidade, seria sensato pensar que o país possui um sistema de locomoção que incluísse todos os cidadãos. Entretanto, isso não ocorre na prática, pois, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2018 cerca de 88% dos municípios brasileiros que têm transporte por ônibus não cumpriam a lei nacional de acessibilidade, evidenciando a exclusão pela qual os cadeirantes passam no Brasil.
Fica claro, portanto, a necessidade da melhoria da mobilidade urbana em nosso país. As prefeituras municipais, em parceria com as empresas privadas que participam do transporte público, devem aumentar os investimentos no setor, isso pode ser feito com a compra de novos veículos que estejam dentro dos padrões de acessibilidade, possuindo, por exemplo, rampas para o acesso de cadeirantes, a fim de que todos os cidadãos possam usufruir do direito de ir e vir na prática.