Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 12/06/2019
As Grandes Navegações Marítimas no século XV e XVl marcam a transição para um ‘‘Novo Mundo’’ em que o transporte se tornou um divisor de águas para o crescimento econômico, social e tecnológico que se refletiu em novas formas de se movimentar: por estradas e pelo ar. Na contemporaneidade, no Brasil, a locomoção rodoviária se dissipou de forma exponencial, devido a Política Rodoviária que alcançou seu auge no Governo JK e trouxe uma dicotomia espacial de superlotamento do espaço, exclusão social e altas tarifas - uma das faces mais problemáticas do meio urbano, o que sem políticas públicas adequadas, continuará a trazer segregação à população. Logo, é necessário conter esse lado desagregador e aglutinador da sociedade, de forma a otimizar o espaço.
Adorno e Horkheimer, filósofos Escola de Frankfurt, afirmaram na ‘‘Dialética do Esclarecimento’’ que o avanço do conhecimento humano é caracterizado por uma técnica sem ética. Nesse sentido, os autores perceberiam acertados suas perspectivas no mundo moderno, haja vista que a questão da mobilidade é culturalmente marcada como símbolo de status social, a qual trouxe o aumento massivo de carros sem que seja acompanhada pela estruturação adequada do espaço, o sobrecarregamento, limitação do fluxo, aumento da poluição e estradas débeis. Portanto, tem-se o desafio de reconfigurar esse contexto, de forma a promover acessibilidade, sustentabilidade e equidade.
Outrossim, segundo a FGV, a frota de automóveis aumentou 400% em dez anos, conforme dados de 2016. Dessa maneira, ao avaliar o crescimento de investimentos em transportes coletivos, pode-se concluir que eles não cresceram na mesma proporção daqueles, o que desencadeou o aumento da mancha urbana e elevação da exigência por serviços públicos de ordem horizontal e é veemente sua interferência na vida cotidiana, bem como o direito de ir e vir, a segurança e a inclusão de pessoas que pintam o ‘‘Quadro Negro’’ mencionado por Lobato. Assim, faz-se necessária a regulação do Plano de Mobilidade, bem como a sua efetividade na organização do espaço e direcionamento de investimentos.
Em síntese, fica evidente que a questão mobilística no Brasil possui deficiências de ordem estrutural, ambiental e econômica que interferem no fluxo de pessoas e cargas. nessa perspectiva, é necessário que o Ministério do Transporte em união com o Estatuto da Cidade (engenheiros, urbanistas e geólogos) em cada região do país promovam uma gestão democrática , justa distribuição de benefícios e ônus decorrentes ao uso de diferentes modos e serviços (veículos sobre trilhos, ônibus limpo. ciclovias e esteiras rolantes); inclusão de deficientes visuais, cadeirantes e estabelecer tarifas acessíveis à população. Assim, será possível a circulação hegemônica de pessoas, melhor qualidade de vida aos cidadãos de forma sustentável, em uma sociedade em que Lobato pudesse se orgulhar.