Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 15/06/2019

Imobilidade Urbana

“O homem nasce livre, e em toda parte encontra-se acorrentado”. Essa frase, do filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, tematiza a liberdade como atributo natural do homem mas que não se realiza, de fato, em razão das imposições da sociedade. no Brasil atual, a mesma lógica é reproduzida no contexto da mobilidade urbana. apesar de serem livres para ir e vir, o planejamento urbano historicamente voltado para carros e a precariedade dos demais tipos de transportes impedem os indivíduos de desfrutarem desse direito e reforçam a desigualdade social no país.

O governo de Juscelino Kubitschek, no final da década de 50, favoreceu a entrada de capital estrangeiro no Brasil para a instalação de montadoras de veículos. Em razão disso, focou-se na construção, ampliação e melhoramento de rodovias, isto é, um modelo rodoviarista, em detrimento de outros meios de transporte. Dessa forma, o incentivo à compra de carros criou uma cultura deste bem como sinônimo de status social. Esse forte estímulo para que a população adquira seu veículo particular é um grave problema, pois eles ocupam mais espaço e transportam menos passageiros a um custo muito maior que ônibus e trens, por exemplo, gerando um caos e superlotação no trânsito das cidades.

Por outro lado, as alternativas aos automóveis se mostram precárias e ineficientes. Um dos principais problemas do transporte público brasileiro é o monopólio de grupos administrativos que operam as companhias de transporte por meio de concessões. Como estas visam apenas o lucro, o resultado são preços abusivos, veículos e paradas em más condições, insegurança e trajetos mal planejados que chegam a durar o dobro do tempo normal. verifica-se, então, que minorias e pessoas mais pobres - dependentes destes serviços - têm acesso restrito à cidade em relação à parcela mais rica, uma vez que estão mais sujeitos à violência e precisam percorrer longos e demorados trajetos para trabalhar e poder ter acesso ao lazer.

Destarte, é necessário criar infra-estrutura para utilização de modais alternativos como bicicletas e patinetes elétricos que podem ser acessados a um custo baixo por aplicativos no celular. Cabe ao Ministério dos Transportes criar mais ciclovias, de modo que se possa percorrer maiores distâncias com mais segurança e interligá-las ao transporte público, para melhorar o acesso também às periferias. Compete às prefeituras rever seus contratos de concessão com empresas de transporte, no intuito de impor o oferecimento de condições melhores e um serviço de qualidade aos usuários de ônibus. Assim, será possível quebrar algumas correntes para que todos tenham liberdade de se locomover na cidade.