Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 18/06/2019

O presidente Juscelino Kubitschek implementou, em sua política desenvolvimentista, o rodoviarismo no Brasil, ato que favoreceu o estabelecimento de multinacionais automobilísticas e a entrada de capital externo. Sendo assim houve uma crescente aquisição de carros pela população brasileira, gerando o aumento de veículos nas vias. No cenário atual, essa situação permanece devido à carência do transporte público e à segregação socioespacial, fatores que tornam a mobilidade urbana caótica.

Em primeira análise, é preciso considerar que os meios de condução coletivos apresentam baixa infraestrutura. Segundo o pensador Gilberto Dimenstein, em sua obra “O Cidadão de Papel”, no Brasil, a população é detentora de vários direitos nas leis, porém, esses benefícios não são aplicados no cotidiano. Nesse viés, apesar da existência de códigos e políticas que visem a melhora do transporte urbano, como a Lei da Mobilidade, há a permanência dos déficits, sobretudo nos veículos públicos, situação que favorece a opção por meios individuais e gera crescimento do trânsito.

Além disso, a segregação socioespacial contribui para o aumento do deslocamento dos cidadãos nas cidades. De acordo com o geógrafo Milton Santos, a urbanização brasileira foi um processo rápido e desplanejado, no qual o meio urbano recebeu grandes populações sem ter infraestrutura necessária. Dese modo, indivíduos de baixo poder aquisitivo se abrigaram em locais longe do centro, denominados periferiais, e, por isso, precisam se locomover diariamente para trabalhar, situação desnecessária caso residissem próximo ao emprego e houvesse gestão pública.

Portanto, mudanças são necessárias para que o modelo rodoviarista deixe de prejudicar a locomoção dos brasileiros. Para isso, o Poder Público deve garantir condições necessárias para o deslocamento digno dos cidadãos no país, tendo em vista que a Lei de Mobilidade responsabiliza os gestores quanto à elaboração de políticas de translado. por meio da melhoria do transporte público e da organização social urbana, com a elaboração de projetos e destinação adequada de investimentos, a fim de reduzir o número de veículos individuais e, por consequência, o trânsito nas cidades.