Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 07/07/2019
Com a mecanização do campo, concentração fundiária e criação de indústrias, que proporcionou o aumento do número de empregos, ocorreu, na segunda metade do século XX, o êxodo rural, dando início à urbanização no Brasil. Nesse contexto, em virtude desse processo ter acontecido rapidamente, não houve planejamento, acarretando grandes desafios para a mobilidade urbana. Sendo assim, esse problema está diretamente relacionado à forma com que as cidades foram divididas e o crescimento exacerbado delas.
Em primeira instância, vale ressaltar que, no Brasil, a fragmentação do espaço a partir das classes sociais é um obstáculo para a mobilidade urbana. Nessa direção, isso é visto, nas ciências humanas, como segregação socioespacial: conceito que se refere aos ricos se concentrarem nos centros, enquanto que os pobres vão, cada vez mais, para regiões periféricas. À vista disso, em razão da maioria dos empregos, lojas e áreas de lazer se reunirem nos centros urbanos, muitos indivíduos precisam percorrer longas distâncias para chegar a esses locais. Por causa disso, há um grande fluxo de pessoas nas estradas, gerando congestionamentos em todas as regiões do país.
Ademais, o crescimento desordenado e acelerado das cidades é um fator condicionante da falta de mobilidade urbana. Sob tal ótica, isso ocasiona o fenômeno denominado macrocefalia urbana, isto é, os centros possuem grande quantidade de indivíduos, mais do que a sua estrutura suporta. Desse modo, o número de veículos individuais se eleva constantemente, promovendo a sua utilização nas ruas e, consequentemente, o tráfego intenso. Outrossim, é nítido que a qualidade de vida da população é afetada, pois ocorre, por exemplo, a poluição sonora e atmosférica — em virtude da grande quantidade de dióxido de carbono emitido — e o crescimento no número de acidentes de trânsito.
Fica claro, portanto, que, no Brasil, a mobilidade urbana apresenta muitos desafios, sendo contundente a necessidade de medidas. Destarte, o governo deveria oferecer uma estrutura igualitária a todas as regiões do país. Para isso, ele poderia, por meio do Ministério da Economia, investir no melhoramento da infraestrutura e na criação de oportunidades nas regiões periféricas, mediante o estabelecimento de reformas e construção de áreas de lazer, gerando, assim, empregos. Por conseguinte, os indivíduos que moram longe dos centros urbanos não irão precisar se locomover e as cidades não iriam crescer de maneira exagerada, pois os impasses da mobilidade urbana provenientes da falta de planejamento durante a urbanização do Brasil seriam diminuídos drasticamente.