Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 03/07/2019

Promulgada em 1988, a Constituição Federal Brasileira garante a todos os cidadãos o direito ao transporte. No entanto, os desafios encontrados na mobilidade urbana impossibilitam que a população desfrute desse direito constitucional na prática. Nesse contexto, o crescimento urbano sem planejamento e o precário sistema de transporte público mostram-se como os principais fomentadores dessa problemática.

Primeiramente, em 1970 o exôdo rural no país fez com que a população das cidades aumentasse significativamente. É indubitável que o acelerado processo de crescimento dos centros urbanos ocorreu de maneira espontânea e sem o devido planejamento pelo poder público, como resultado, houve a má organização do espaço geográfico e da rede de infraestrutura de mobilidade urbana. Atualmente, o automóvel é a principal condução da população que trabalha diariamente. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), em 2012 o país terminou com mais de 50 milhões de carros. Todavia, as cidades não foram  programadas para receber essa enorme quantidade de veículos, a consequência disso é o aumento do trânsito e a crise da mobilidade urbana.

Outrossim, vale ressaltar que essa situação é corroborada pela deficiência do transporte público. Inegavelmente, o serviço oferecido pelas empresas de transporte não suprem a necessidade da população, entre as principais queixas estão: sucateamento dos veículos, ausência de segurança, frotas restritas e insuficientes. Segundo uma pesquisa realizada pelo IBOPE, 83% dos entrevistados usariam o transporte público caso ele fosse mais eficiente. Esse desejo ficou evidenciado nas manifestações populares ocorridas em 2013, em que uma das pautas era a melhoria dos transportes coletivos e equidade de acesso.

Portando, compete ao poder público investir em infraestrutura de mobilidade por meio da expansão e modernização dos sistemas de transporte público, prioritariamente os de alta e média capacidade - trens, metrôs, VLT, BRT e corredores exclusivos de ônibus, a fim de que haja aumento das frotas, alcançando um maior número de  usuários, e que o tempo de deslocamento da população seja reduzido. Dessa forma, o Estado garantirá o direito constitucional de acesso ao transporte e os desafios da mobilidade urbana serão superados.