Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 09/08/2019

Tentativa de fuga em meio à distopia brasileira

Poluição sonora. Alta mortandade nas rodovias. Trânsito interditado. Estradas em péssimo estado. Pouca diversidade de modais de transporte. Esse conjunto de problemáticas representa a realidade da mobilidade urbana no Brasil. Nesse sentido, o incentivo demasiado ao automobilismo e a falta de planejamento urbano corroboram para a manutenção dessa distopia brasileira.

A priori, historicamente, o país concentrou investimentos em rodovias. A era Juscelino Kubitshek, nesse contexto, foi decisiva para a pavimentação e o incentivo ao automobilismo, necessários em sua época. Entretanto, os governos seguintes não diversificaram os modais, o que permitiu a concentração de pessoas em apenas um. Com efeito, de acordo com o Conselho Nacional de Medicina, a cada 1 hora 5 pessoas morrem em estradas brasileiras.

Outra problemática importante é a não priorização de reformas no espaço urbano. Sob essa ótica, o êxodo rural provocado pelas revoluções industrial e verde permitiu o inchaço urbano. As grandes cidades, por sua vez, iniciaram um crescimento rápido de forma que as atividades de lazer e trabalho, por exemplo, concentrassem-se no centro em detrimento da periferia. Por essa lógica, o urbanista Flávio Fishman afirma a importância da aproximação entre empresas e moradores da periferia como forma de melhorar o vai e vem nas grandes cidades.

Portanto, o incentivo exacerbado à rodovias e a ausência de políticas urbanas prejudicam a trânsito brasileiro. Sob essa ótica, é necessário que o Superministério do Desenvolvimento Regional, em parceria com o Departamento Nacional de Trânsito e os municípios, realize mudanças estruturais nas cidades. O primeiro passo, nessa lógica, é incentivar outros modais de transportes como ciclovias, ferrovias e hidrovias, tendo em vista as necessidades de cada região, para diminuir a concentração de pessoas no modal rodoviário. Além disso, é imprescindível a realização de incentivos fiscais para atrair empresas à periferia do meio urbano, o que diminuiria a locomoção para o centro. Somente assim é possível transformar o presente fatídico em um passado logínquo.