Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 08/09/2019
O poema “Cota Zero” de Carlos Drummond, demonstra de maneira sucinta como o deslocamento urbano influencia na vida das pessoas. Fora da literatura, essa conjuntura no Brasil se mostra deficiente e com diversos desafios a serem superados. Dentre eles dois que merecem destaque são: o crescimento sem planejamento e o esquecimento das demais formas de mobilidade suas necessidades. Visto isso, algumas medidas são necessárias.
No cerne dessa problemática está a própria estrutura da cidade, a qual torna o trânsito um desafio em si. Muitos municípios se desenvolvem em progressão aritmética, adicionando soluções paliativas quando problemas surgem na medida que a população crescem em progressão geométrica, multiplicando seus números e suas necessidades, mais carros e ônibus circulando, em relação a geração anterior. Essa lacuna entre os fatores deve-se muito a falta de tradição da nação brasileira com a programação para o cumprimento de metas à longo prazo, pois como não é momentâneo será resolvido no futuro. Consequentemente, esse acúmulo de medidas provisórias não sustentará uma nação com mais de 210 milhões de pessoas e uma das maiores frotas de veículos do mundo, o que levará a uma crise sem precedentes na mobilidade brasileira.
Ademais, outro agravante dessa crise presente é a falta de visibilidade aos outros componentes do conceito de mobilidade urbana. Porque os automóveis são postos em posição central e é esquecido que os pedestres, os ciclistas e animais de carga também compõem e influenciam na dinâmica das cidades. A exemplo disso tem-se a falta de ciclovias e a falta de padrão nos passeios para facilitar o caminhar por eles, o que leva a rua ser o local onde todos têm de transitar. Isso ocorre, em razão do capitalismo ser uma força, segundo o estudioso Adam Smith, que prima pelo lucro e como são os veículos os responsáveis por maior construção de riquezas suas necessidades são olhadas com atenção. Consequentemente, um cenário entrópico é criado e, infelizmente, os acidentes tornam-se mais comuns com os segregados no trânsito.
Em prol de sanar a marginalização dos outros componentes da mobilidade, o Ministério Da Cidades deve implementar um plano que considere a presença deles. Para tal, o órgão federal pode investir uma maior cota dos impostos de venda e produção dos automóveis na adaptação da cidade aos outros agentes desse contexto. Com a criação de passeios regulares, faixas para circulação exclusiva de bicicletas e regulamentação dos animais de carga a logística de deslocamento tornará-se mais eficiente. Dessa maneira, além de diminuir os acidentes a movimentação das riquezas será otimizada, pois o trânsito melhorará. Com isso, imagens caóticas nas ruas serão lembradas apenas em poemas.