Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 04/08/2019

Para o urbanista e ex-prefeito de Bogotá, Enrique Penalosa, uma boa cidade não é aquela em que os pobres andam de carro, mas que os ricos andam de ônibus. Nesse prisma, os desafios da mobilidade urbana no Brasil têm de ser resolvidos por meio de políticas públicas mais eficientes, uma vez que tanto os espaços urbanos estão lotados, como os níveis de poluição ambiental aumentaram muito.

Embora, em 2012, tenha sido instituída a Política Nacional de Mobilidade Urbana, até janeiro de 2015, apenas 5% das prefeituras entregaram seus planos. Isso mostra o descaso público em buscar mecanismos mais eficientes para evitar o congestionamento urbano, que acaba limitando o fluxo, fazendo com que o brasileiro passe mais tempo no trânsito, tal cenário faz com que aumente a busca por veículo individual.

Aliado a esse fato, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que, de 2006 a 2016, a frota de automóveis aumentou 400%. Dessa forma, o meio ambiente sofre com o aumento da emissão de carbono e a população com a poluição sonora, que traz como consequências: estresse no corpo, irritabilidade e cansaço. Um bom exemplo no Brasil para o caos urbano é Rio Branco, no Acre, que fez mais de 160 km de ciclovias para cerca de 300 mil habitantes, fato que estimulou a população a usar bicicletas.

Diante dos fatos, o Ministério das Cidades deve exigir das prefeituras políticas que estimulem o transporte coletivo, por meio de construção de linhas de metrô, de teleféricos, bem como diminuir o preço do transporte público, além de construir ciclovias e ciclofaixas para quem prefere o deslocamento ao ar livre, e levar mediante os agentes de saúde informações sobre os benefícios que tais ações trazem à saúde. A União deverá isentar de impostos veículos elétricos e bicicletas para estimular o “deslocamento limpo”, pois com essas iniciativas, certamente, diminuirão os impactos ambientais provocados pelo homem.