Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 27/08/2019
Ao longo do século XX, com o crescente aumento do êxodo rural, a população começa a se concentrar nas metrópoles, consequentemente, iniciando um acelerado e desorganizado processo de urbanização no Brasil, devido a ausência de medidas para lidar com tal quadro, hoje, sente-se os sintomas na movimentação lenta, deficiente e, por vezes, catastrófica das cidades. Dessa forma, um possível solucionador, como o transporte coletivo, se mostra um fomentador de tal cenário. Ademais, essa conjuntura gera graves impactos na qualidade de vida da população.
Em primeiro plano, a partir do governo de Juscelino Kubitschek, com o incentivo à indústria automobilística e a construção de inúmeras rodovias, tem-se o estabelecimento de uma política de priorização do veículo individual no país. Desse modo, tal histórico auxiliou na formação do atual cenário, o qual filas quilométricas de carros são concebidas na circulação diária das cidades e as vias brasileiras transformam-se em ringues de luta, graças à aparente escassez de espaço. Além disso, o transporte público seria uma saída para esse trágico panorama; contudo, segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, de 2014, 55% dos brasileiros consideram ruim os serviços de transporte coletivo de seus municípios. Logo, isso se deve à grave precarização de suas estruturas, que não são compensados em detrimento das elevadas tarifas, consequentemente, instigando o caos urbano com ainda mais automóveis nas ruas.
Paralelamente, aponta-se que existem, no Brasil, quase dois veículos por habitante, como resultado, as populações, principalmente, dos grandes centros se vêem massivamente impactados com a enorme emissão de poluentes, que contribuem na ocorrência de fenômenos climáticos, como as ilhas de calor e a chuva ácida. Dessa forma, conforme a Organização Mundial da Saúde, em decorrência da má qualidade do ar, estima-se que morram cerca de sete milhões de pessoas mundialmente a cada ano, dado que, só no país, são 50 mil. Por isso, é imprescindível evidenciar que o uso de algo tão banal e corriqueiro como o carro, possa se tornar um efetivo instrumento para inviabilização da vida.
Portanto, a fim de minimizar a problemática, o Governo Federal deve instituir um plano de restruturação da mobilidade urbana, a fim de buscar um maior equilíbrio em uma questão de extrema primazia, porém gerida desproporcionalmente. Dessa maneira, com o auxílio da iniciativa privada, deve criar um programa de retribuições, pelo qual aqueles municípios que investirem em meios de transporte alternativo, como melhorias no transporte público, construção de ciclofaixas e adequação na eficiência das vias, serão elegíveis para um bonificação em seus recursos. Assim, é possível romper os laços com essa herança tão incômoda que o país carrega.