Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 14/08/2019
É necessário considerar que a mobilidade urbana é uma questão essencial para o cotidiano do brasileiro, mas que torna-se um pesadelo devido à péssima infraestrutura urbana e ao excesso de veículos nas ruas. Afirma-se isso pois, além do estresse, a falta de mobilidade urbana é responsável pelo aumento da poluição, uma vez que a queima incompleta de combustíveis fósseis produz monóxido de carbono, um gás tóxico, e também cria ilhas de calor nas cidades. Por isso, torna-se imprescindível a adoção de medidas para alterar esse cenário.
Nesse contexto, deve-se destacar a existência de diferentes motivos que explicam a terrível mobilidade urbana no Brasil. É possível pensar, por exemplo, na desorganizada política de Juscelino Kubitschek, no século XX, que incentivou o crescimento acelerado da indústria automotiva, inspirado no projeto do antigo presidente Washington Luís, que afirmava que ‘‘governar é abrir estradas’’. Esse pensamento levou à ideia de ‘‘carrocracia’’, que, além de aumentar o contingente de carros, estimulou as cidades a promover obras para favorecer esses e não outros modais, como o transporte público, as bicicletas, entre outros. Isso foi fundamental para criar um déficit de transportes de qualidade e também o menosprezo pelos pedestres frente a relevância dos utilitários.
Outro aspecto importante que prejudica a mobilidade urbana é a rigidez da jornada de trabalho dos brasileiros. Esse fator é responsável por criar a ‘‘hora do rush’’, um momento em que a maioria dos trabalhadores estão a caminho ou estão voltando do trabalho, geralmente em carros individuais, acarretando um exorbitante número de veículos nas ruas, que não comportam tal contingente. Esse panorama impulsiona tanto os motoristas, quanto os passageiros a desenvolver problemas de saúde em consequência do estresse, da temperatura elevada dos centros urbanos e também da alta quantidade de monóxido de carbono inspirada diariamente.
Por isso, é necessário adotar medidas que melhorem a mobilidade urbana para os brasileiros. Para tanto, o ideal seria que o Governo Federal, Estadual e Municipal atuassem em conjunto com empresas privadas do ramo, no sentido de ampliar as linhas de transporte coletivo e melhorar a qualidades desses. Ademais, seria interessante investir na divulgação da iniciativa das bicicletas compartilhadas, como é feito pelo banco Itaú em algumas cidades do Brasil. Por fim, o Ministério do Trabalho deveria incentivar a adoção de horários flexíveis para os trabalhadores, na intenção de diminuir a ‘‘hora do rush’’ para que, em conjunto com as outras ações, a poluição e o estresse dos indivíduos diminua, e a mobilidade urbana seja facilitada, deixando de ser uma tortura e proporcionando melhorias na qualidade de vida da população, principalmente para os motoristas e passageiros.