Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 02/10/2019
A mobilidade urbana é o meio que a população utiliza para se locomover no espaço, e ela está intrinsecamente relacionada ao legado histórico deixado pelo governo do presidente Juscelino Kubitschek, aos interesses das empresas privadas que atuam na área e às classes sociais existentes que usufruem dos modais disponíveis. No Brasil, a mobilidade está seriamente prejudicada, afetando a vida de todos os brasileiros, então, por ser um direito garantido no artigo 5° da Constituição Federal, a mobilidade deve melhorar.
Durante a década de 50, Juscelino Kubitschek subiu à presidência do Brasil e instaurou o Plano de Metas, com o slogan: 50 anos em 5, que tinha como objetivo modernizar e industrializar o país. Alguns dos investimentos feitos foram a construção de grandes rodovias e a concessão de incentivos fiscais para empresas automobilísticas que construíssem empresas em território brasileiro. Assim começava a consolidação da hegemonia de um modal de transporte inadequado para um país de extensões territoriais tão grandes, pois geraria viagens demoradas e custos exorbitantes. Para diminuir tais custos, o governo fez diversas parcerias público-privadas com empresas que visam, principalmente, o lucro próprio de tal modo que ocasionam o sucateamento de automóveis e estradas, preços caros de passagens que deveriam ser democráticas e mau planejamento de rotas, que ficam muito grande e geram perda de tempo. Porém, o uso de carros e caminhões é muito bem estabelecido, o que torna difícil utilizar métodos alternativos de transporte, como a bicicleta, que não conta com ciclovias seguras nem apoio do governo para que funcione.
Tendo isso em vista, fica claro que o sistema brasileiro favorece as pessoas que têm mais dinheiro e por isso podem pagar para ter e manter um carro, e não dependem de transportes públicos, que estão descuidados, como ônibus e metrô, para se locomover. Contudo, há uma contradição pois ao comprar um carro espera-se transporte com mais qualidade e segurança, no entanto, quanto mais carros nas ruas, mais engarrafamentos e acidentes ocorrem, deteriorando também esse modo. Ainda sim, a indústria automobilística é muito bem sucedida por ter assistência do governo brasileiro e isso urge uma mudança.
Em conclusão, percebe-se que não há um sistema de transporte eficiente no Brasil. Assim, faz-se necessário que o Ministério da Infraestrutura, antigo Ministério do Transporte, invista no melhoramento dos sistemas de transportes através do remanejamento dos impostos públicos. Também é importante diminuir as parcerias público-privadas para que a mobilidade urbana se torne mais democrática e inclusiva, favorecendo transportes coletivos que facilitarão a locomoção nas ruas.